A história da Gazeta da Vila Guilherme — um legado que virou missão

A Gazeta da Vila Guilherme nasceu de uma dor.
Mas, acima de tudo, nasceu de uma esperança.

Ela surge com um propósito simples e poderoso: ser a voz viva do bairro da Vila Guilherme, na Zona Norte de São Paulo. Não apenas um jornal. Não apenas notícias. Mas um elo. Um abraço coletivo. Um espelho onde a comunidade pudesse se enxergar.

Em 2025, o fundador da GVG, Luis Marcelo Humberto do Santos Carvalho, teve a oportunidade de trabalhar ao lado do Dr. Heitor Pinto Filho, idealizador da Universidade Bandeirante de São Paulo — a querida Uniban, que hoje muitos conhecem como Uni-Ban.

Mas para entender a Gazeta, é preciso voltar no tempo. É preciso falar de sonho.

A centelha que começou nos anos 70

A Uniban nasceu na década de 1970 com uma missão quase ousada para a época: democratizar o ensino superior. Em uma cidade desigual como São Paulo, abrir portas para quem não tinha acesso era mais do que um negócio — era um compromisso social.

Com mensalidades acessíveis e cursos nas áreas de Humanas, Exatas e Saúde, a universidade cresceu. Nos anos 1990 e 2000, consolidou sua presença na Zona Norte, especialmente na Vila Guilherme. Expandiu-se para o Grande ABC. Formou milhares. Mudou destinos.

Mais de 300 mil alunos passaram por suas salas, nos seus 11 campis espalhados pelo Brasil.

Mas como toda grande história, houve tempestades. Em 2009, um episódio amplamente divulgado nacionalmente marcou a imagem da instituição. Em 2011, a Uniban foi incorporada pela Anhanguera Educacional, que posteriormente passou a integrar a Cogna Educação.

A marca foi sendo apagada. Aos poucos, o nome desapareceu. E junto com ele, parte de um legado parecia se dissolver.

O arrependimento e a dor de um fundador

Conta Luís Marcelo que, em uma conversa sincera, o Dr. Heitor revelou o motivo da venda: queria garantir a continuidade do sonho. Seus herdeiros, naquele momento, não demonstravam interesse em seguir à frente da instituição. Ele escolheu preservar o projeto.

Mas o tempo trouxe arrependimento.

Mudanças de gestão. Alterações de mantenedoras. Decisões corporativas frias.
A marca Uniban foi extinta. Os prédios — antes cheios de jovens, sonhos e diplomas — foram esvaziados. Alguns ficaram abandonados. Aluguéis deixaram de ser pagos desde a pandemia.

E o maior medo de um fundador se concretizou: ver seu legado cair no esquecimento.

Mas o que é um legado verdadeiro?

Ele não vive nas paredes.
Ele vive nas pessoas.

E havia algo que não podia ser apagado: a centelha da educação, herdada por Heitor de seu avô, Pedro Pinto e Silva. Uma chama que resistia.

O encontro de duas missões

Foi dessa chama que nasceu o encontro.

“Foi dessa centelha que ainda pulsa no coração do Dr. Heitor que nossos caminhos se cruzaram”, conta Luís Marcelo.

Em 20 de outubro de 2025, Luís iniciou seu trabalho no marketing da nova Uni-Ban, com o desafio de reposicionar a instituição como um centro universitário de referência em São Paulo. Ele mergulhou de cabeça. Sua meta era clara, objetiva, direta: levar alunos para dentro. Fazer a universidade respirar novamente.

Mas sua intensidade foi considerada excessiva.

Em 20 de dezembro de 2025, o vice-reitor José Sachetto decidiu por sua demissão. Rápida. Cirúrgica. Sem despedida. O Dr. Heitor estava viajando. Luís saiu sem poder apertar a mão de quem havia reacendido nele uma missão.

Parecia o fim.

Mas era o começo.

A pergunta que mudou tudo

Enquanto buscava veículos para divulgar a volta da Uni-Ban, Luís percebeu algo inquietante: não existia um canal exclusivo de informação dedicado à população da Vila Guilherme.

Um bairro com mais de 55 mil cidadãos.
18 mil lares.
Milhares de histórias.

E nenhuma voz própria.

Foi ali que outra centelha acendeu.

Se a educação transforma pessoas, a informação conecta comunidades.

Em janeiro de 2026, nasce a Gazeta da Vila Guilherme. Não por acaso. Não por oportunidade. Mas por necessidade.

Um jornal feito para ouvir. Para dar espaço. Para valorizar comerciantes, escolas, moradores, trabalhadores, jovens e idosos. Para transformar indignação em diálogo. Problemas em pauta. Sonhos em projetos.

Um símbolo com raízes

Como logotipo, Luís escolheu homenagear o próprio fundador do bairro: Guilherme Praun da Silva.

Montado em seu cavalo, ele simboliza o caminho. A entrega. A conexão entre as casas. O mensageiro de uma época em que notícias viajavam pela coragem de quem acreditava na comunidade.

Hoje, esse cavalo não carrega cartas.

Carrega histórias.

A Gazeta é mais do que papel

A Gazeta da Vila Guilherme é a prova de que nenhum legado morre quando ainda há alguém disposto a continuar contando histórias.

Se a Uniban nasceu para formar profissionais,
a Gazeta nasce para formar consciência.

Se uma marca foi apagada,
uma voz foi acesa.

E enquanto houver alguém disposto a escrever,
a Vila Guilherme nunca ficará em silêncio.

Por: Luís Marcelo Humberto dos Santos Carvalho.
Em Homenagem a Dr. Heitor Pinto Filho e seu legado.

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