Com texto e direção de Bernardo Fonseca Machado, “Jabuticaba nasce no tronco” encerra a aclamada trilogia “Ensaios Sobre a Morte”.
SÃO PAULO – As complexidades dos vínculos afetivos, a busca pelas origens e os lutos invisíveis que atravessam o processo de adoção são os temas centrais de “Jabuticaba nasce no tronco”, novo espetáculo da Cia. EmVersão. Idealizada, escrita e dirigida por Bernardo Fonseca Machado, a peça cumpre temporada de estreia de 25 de junho a 12 de julho, no Teatro Alfredo Mesquita, em Santana. As sessões são inteiramente gratuitas.
A montagem encerra oficialmente a trilogia Ensaios sobre a Morte, iniciada pelo coletivo com Relicário Inventado (2011), que abordava a partida do outro sob o verbo “inventar” a memória, e seguida por Epitáfio (2013/2014), que refletia sobre a finitude a partir do “escolher” o próprio fim. Neste desfecho, o verbo condutor da dramaturgia e da encenação é “costurar” — uma alusão direta à construção, ao rompimento e à reconstrução de histórias, raízes e pertencimentos.
O reencontro e as diferentes faces da experiência adotiva
Ambientada na cidade de São Paulo entre os anos de 1990 e 2008, a trama acompanha a trajetória de Bento, Ifigênia, José e Miuza. Na infância, as quatro crianças órfãs vivem sob o acolhimento de Maria, uma viúva que recebe menores em sua casa como forma de subsistência. Após um período de convivência e visitas de casais interessados, cada um segue um destino diferente. Dezoito anos depois, o quarteto se reencontra em um velório, momento em que são forçados a revisitar o passado e encarar as marcas de suas identidades.
O elenco, composto por Barroso, Fábia Mirassos, Jennifer Souza, Rodrigo de Castro e Vitória Cortez, dá corpo a personagens que sintetizam as nuances da realidade adotiva brasileira:
- Maria: Inspirada nas cuidadoras informais que atuavam nas décadas de 80 e 90, antes da consolidação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
- Bento: Enfrenta uma crise de identidade após ter seu nome alterado pelo casal de classe média alta que o adotou.
- Ifigênia: Deixada pela avó no abrigo, é posteriormente devolvida por uma família adotiva que buscava apenas uma criança para “companhia”.
- José: Fruto de uma gestação indesejada, encontra o afeto somente após sucessivos desencontros.
- Miuza: Retirada da mãe biológica pelo Estado, é acolhida por um pai solo que prioriza sua educação.
“A adoção, nesse contexto, é compreendida como um gesto de unir partes distintas por meio de uma costura, que tanto pode formar um laço quanto um nó — frouxo ou apertado, simples ou complexo, que conecta ou tensiona os sujeitos envolvidos”, aponta o material de divulgação da companhia.
Estética da costura e pesquisa de campo
Visualmente, a encenação adota o tecido como eixo simbólico. As relações familiares são representadas como uma trama de fios que podem ser esticados, cortados ou reatados. Na estrutura narrativa, o texto transita de forma fluida entre o diálogo e a narração: o passado (1990) e o presente (2008) se sobrepõem no palco, fazendo com que uma memória de infância ganhe contornos mais ásperos ou reveladores quando confrontada com a realidade adulta.
A obra é fruto de uma longa investigação de Bernardo Fonseca Machado, que pesquisa o tema desde 2018. Pretendente à adoção, o diretor realizou cursos de formação em instituições de referência, como o Tribunal de Justiça de São Paulo e o GAASP (Grupo de Apoio à Adoção em São Paulo). O projeto foi viabilizado por meio da 21ª Edição do Prêmio Zé Renato – Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.
Ficha Técnica
- Texto, Direção e Idealização: Bernardo Fonseca Machado
- Elenco: Barroso, Fábia Mirassos, Jennifer Souza, Rodrigo de Castro e Vitória Cortez
- Musicistas em cena: Gago e Sérgio Wontroba
- Trilha Sonora: Guti Vellutini (Consultoria musical: Fernando Growald)
- Cenário: Andreas Guimarães
- Figurino: Kleber Montanheiro (Costureira: Mariluce Constantina)
- Iluminação: Lui Seixas (Assistente: Júlia Fávero)
- Design Gráfico: Renan Marcondes
- Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
- Fotos: Tomás Franco
- Direção de Produção: Paula Malfatti
- Acessibilidade: Ver com Palavras (Audiodescrição: Lívia Motta e Roseli Garcia; Libras: Verena Teixeira e Rive Agra)
- Gestão e Administração: Malfatti Paciência em Ato / La Do B Educação e Artes
- Apoio: Teatro do Célia e Oficina de Atores Nilton Travesso
Serviço
- Espetáculo: Jabuticaba nasce no tronco, com a Cia. EmVersão
- Temporada: 25 de junho a 12 de julho de 2026
- Horários: Quinta-feira a sábado, às 20h; domingos, às 19h
- Local: Teatro Alfredo Mesquita (Av. Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo – SP)
- Ingressos: Gratuitos (retirada na bilheteria com uma hora de antecedência)
- Duração: 130 minutos | Classificação: 10 anos
- Acessibilidade: Espaço adaptado para cadeirantes. No dia 27 de junho, a sessão contará com interpretação em Libras, audiodescrição e visita tátil.
Nota de utilidade pública: Em virtude do calendário de jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo FIFA 2026, as apresentações programadas para os dias 5, 9 ou 11 de julho poderão ser canceladas caso o Brasil avance para as fases de oitavas e quartas de final.
