VOLLEY GIRLS: DE UM SONHO SIMPLES A UM MOVIMENTO QUE TRANSFORMA VIDAS

Quando olho para a trajetória do VOLLEY GIRLS, vejo muito mais do que um projeto esportivo. Vejo uma história construída passo a passo, com trabalho, dedicação e, principalmente, com o desejo genuíno de criar oportunidades para mulheres que buscavam um espaço onde pudessem aprender, evoluir e se sentir acolhidas.

Tudo começou enquanto minha irmã, Perla, e eu ministrávamos aulas de voleibol em um clube onde a iniciação esportiva acontecia a partir dos 14 anos de idade. Com o passar do tempo, percebemos que muitas mulheres adultas demonstravam interesse pelo esporte, mas sentiam-se desconfortáveis em dividir a quadra com adolescentes que, muitas vezes, já possuíam experiência e domínio dos fundamentos.

Após uma aula, durante uma conversa simples e espontânea, algumas dessas mulheres compartilharam seus sentimentos. Elas não buscavam competição. Queriam apenas aprender, praticar uma atividade física, fazer amizades e resgatar um sonho que, por diferentes motivos, havia ficado para trás. Naquele momento, fizeram um pedido que mudaria nossas vidas: que criássemos um espaço exclusivamente para mulheres adultas.

Poucos dias depois surgiu a oportunidade de alugar uma quadra na Zona Norte de São Paulo. Assumimos o desafio e organizamos uma aula experimental para 20 mulheres. No dia 17 de março de 2022, nasceu oficialmente o VOLLEY GIRLS.

O resultado superou qualquer expectativa. Ao final daquela primeira aula, marcada por emoção, alegria e integração, 17 das 20 participantes decidiram continuar. Na semana seguinte já éramos mais de 20. Pouco depois, ultrapassávamos 35 mulheres treinando regularmente.

O que começou como uma simples iniciativa esportiva rapidamente se transformou em algo muito maior. As participantes passaram a encontrar no voleibol uma forma de melhorar a saúde física e emocional, aliviar o estresse, fortalecer a autoestima e construir novas amizades. A cada treino, ficava mais evidente que estávamos formando uma comunidade.

Com o crescimento acelerado, percebemos que o espaço inicial já não atendia mais às necessidades do projeto. Foi nesse momento de expansão que aconteceu um dos encontros mais importantes da história do VOLLEY GIRLS.

Minha irmã, Perla, que joga voleibol desde os 12 anos de idade e hoje representa com orgulho a Seleção Brasileira de Surdos, comentou sobre a excelente estrutura esportiva existente na antiga UNI-BAN. Diante daquela oportunidade, apresentei o projeto à administração da instituição.

Tivemos então a honra de sermos recebidas pelo Dr. Heitor, reitor da UNI-BAN. Desde o primeiro encontro, ele demonstrou sensibilidade, visão social e confiança em nosso propósito. Mais do que enxergar um projeto esportivo, ele compreendeu que o VOLLEY GIRLS representava um instrumento de inclusão, fortalecimento feminino e transformação social.

O apoio da UNI-BAN foi decisivo para nossa trajetória. A instituição abriu suas portas para que pudéssemos utilizar uma estrutura esportiva de excelência, que se transformou na casa do VOLLEY GIRLS. Essa parceria permitiu que ampliássemos nossas atividades, criássemos novas turmas e acolhêssemos um número cada vez maior de participantes.

Com a nova estrutura, conseguimos adaptar o espaço para o funcionamento simultâneo de diferentes grupos de treinamento. Pela primeira vez, reunimos todas as participantes em um único local, fortalecendo ainda mais os laços de amizade, pertencimento e convivência que se tornaram uma das marcas do projeto.

Durante esse processo, percebemos outra realidade importante. Muitas das mulheres que mais precisavam do acolhimento proporcionado pelo esporte enfrentavam dificuldades financeiras que as impediam de participar regularmente.

Foi então que tomamos uma decisão que se tornou um dos pilares da nossa missão. Com o apoio das próprias alunas, passamos a oferecer oportunidades para mulheres em situação de vulnerabilidade social, emocional ou econômica. Mulheres que enfrentavam desafios relacionados à saúde mental, violência doméstica, relacionamentos abusivos ou outras situações delicadas passaram a encontrar no VOLLEY GIRLS um espaço seguro de reconstrução e fortalecimento.

Atualmente, cerca de 30% das participantes recebem esse apoio, tornando possível a manutenção de uma política de inclusão sem repassar custos adicionais às demais integrantes.

O crescimento do projeto também trouxe novas demandas. Muitas mães desejavam participar das aulas, mas acreditavam que a presença dos filhos dificultaria sua permanência. Ao acolhermos essa realidade, surgiu uma nova oportunidade de impacto social.

Assim nasceu o VOLLEY KIDS, iniciativa voltada às crianças e adolescentes filhos das participantes. O objetivo era oferecer um ambiente saudável, educativo e esportivo, incentivando a prática de atividades físicas e reduzindo o tempo excessivo diante das telas.

Hoje, o projeto oferece atividades em diferentes níveis de aprendizado, atendendo crianças, iniciantes e atletas intermediárias, permitindo que cada participante evolua de acordo com seu ritmo e seus objetivos.

Ao longo dos anos, muitas mulheres alcançaram um nível técnico que jamais imaginaram conquistar. Para celebrar essa evolução, realizamos nosso primeiro campeonato interno no aniversário do projeto. O sucesso foi tão grande que a competição se tornou uma tradição anual.

Outro marco importante surgiu quando algumas participantes enfrentaram o desafio do câncer. Ao ouvir seus relatos sobre como o voleibol havia contribuído para seu fortalecimento físico e emocional durante o tratamento, decidimos criar uma ação especial.

Nasceu então o Campeonato Outubro Rosa, um evento que vai muito além da competição esportiva. Todos os anos reunimos equipes convidadas, promovemos homenagens, ações de conscientização e momentos de celebração da vida, da superação e da força feminina.

Paralelamente, o VOLLEY GIRLS também se tornou uma importante rede de apoio ao empreendedorismo feminino. Hoje contamos com nutricionistas, advogadas, psicólogas, professoras, comerciantes, artesãs, confeiteiras e diversas profissionais que encontram no projeto oportunidades de networking, divulgação e crescimento.

Por meio de parcerias internas, essas profissionais oferecem serviços com condições especiais às participantes, fortalecendo uma rede de colaboração que gera benefícios econômicos, profissionais e sociais para todas.

Em nossos campeonatos e eventos, promovemos ainda apresentações de ginástica artística, ginástica acrobática e outras modalidades esportivas, além de cerimônias de abertura, homenagens e atividades que envolvem familiares e convidados, criando uma verdadeira celebração do esporte e da convivência.

Hoje, ao olhar para trás, vejo que o VOLLEY GIRLS nasceu de uma conversa simples após uma aula. O que era apenas uma ideia transformou-se em um movimento que acolhe mulheres, inspira crianças, fortalece famílias e gera oportunidades reais de transformação social.

Nada disso teria sido possível sem o apoio das participantes, dos parceiros, da UNI-BAN e do Dr. Heitor, que acreditaram em nosso propósito desde os primeiros passos.

O VOLLEY GIRLS não forma apenas atletas. Forma amizades, fortalece a autoestima, promove inclusão, cria oportunidades e transforma vidas. E, depois de tudo o que construímos até aqui, tenho a certeza de que esta história está apenas começando.

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