Com texto de Rafael Cristiano e direção de Cleydson Catarina, a peça resgata a memória da realeza negra e promove a ancestralidade para as infâncias periféricas.
SÃO PAULO – Uma das celebrações afro-brasileiras mais significativas da capital paulista, a Festa de Coroação de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos da Penha, será o tema central do espetáculo infantil “Rei Menino”. Com apresentações gratuitas, a peça estreia nos dias 26 e 27 de junho, às 15h, em pleno Largo do Rosário, na Zona Leste, integrando-se à própria festividade. Posteriormente, a produção circulará por diferentes espaços públicos da cidade, como a Biblioteca Mário de Andrade, o Centro Cultural Tendal da Lapa e o Centro de Referência da Dança.
Embora a histórica celebração da Penha ainda seja desconhecida por parcela da população, o projeto idealizado pelo dramaturgo Rafael Cristiano e pelo diretor Cleydson Catarina nasce justamente para dar visibilidade a esse patrimônio vivo. O foco principal são as infâncias negras e periféricas, preenchendo uma lacuna de referências positivas sobre a cultura afro-brasileira nos currículos escolares e nos espaços públicos.
“Levar essa festa ao teatro infantil é uma forma de fazer com que as crianças experimentem, de maneira encantadora, um patrimônio vivo onde a realeza negra se manifesta, não em castelos distantes, mas em seus próprios territórios”, explica Ingrid Alecrim, diretora de produção do espetáculo.
Uma jornada de descoberta pela Zona Leste
A trama acompanha Pepê, um menino morador da Zona Leste que pede ao pai, Jonas, para levá-lo à coroação do rei e da rainha do Rosário dos Homens Pretos da Penha. Ao longo do caminho, pai e filho embarcam em uma jornada de descobertas sobre a realeza negra no Brasil, embalados pelo ritmo e pela tradição da congada.
O elenco conta com Gabriel Coupe, Lucas Laureno, Rafael Fazzion e o próprio autor, Rafael Cristiano. A peça busca criar um espaço de orgulho e encantamento, convidando as novas gerações a se conectarem com a identidade e a memória coletiva afro-brasileira.
A Força e a História da Coroação da Penha
Mais do que um rito religioso, a Festa de Coroação é um símbolo secular de resistência. A Igreja do Rosário dos Homens Pretos da Penha foi erguida em 16 de junho de 1802, em pleno regime escravocrata. Na época, as irmandades negras utilizavam o espaço para garantir velórios dignos aos seus membros e organizar fundos comunitários para a compra de cartas de alforria.
Desde 2002, a festa vem sendo fortalecida como um território essencial para a história da cidadania negra em São Paulo. O festejo estende-se por cerca de um mês, iniciando-se com o levantamento do mastro no Largo do Rosário.
O ponto alto é a coroação dos reis da festa, escolhidos anualmente após uma missa afro-inculturada — celebração católica que integra a musicalidade e os signos das religiões de matriz africana. O evento atrai mais de 20 grupos tradicionais, incluindo:
- Congadas e Moçambiques;
- Marujadas e Maracatus;
- Sambas de bumbo e Jongo.
Serviço
- Espetáculo: Rei Menino, de Rafael Cristiano
- Classificação: Livre | Duração: 50 minutos
- Ingressos: Grátis (não é necessário retirar com antecedência)
Agenda de Apresentações:
| Data | Horário | Local / Endereço |
| 26 e 27/06 | 15h | Largo do Rosário – Penha de França, São Paulo |
| 03/07 | 14h e 16h | Biblioteca Mário de Andrade – Rua da Consolação, 94 – República |
| 17/07 | 14h e 16h | Centro Cultural Tendal da Lapa – Rua Guaicurus, 1100 – Lapa |
| 18/07 | 14h e 16h | Centro de Referência da Dança – Galeria Formosa (Baixos do Viaduto do Chá) |
Ficha Técnica Resumida
- Dramaturgia: Rafael Cristiano
- Direção: Cleydson Catarina
- Direção Musical: Fernando Alabê
- Consultoria de Dramaturgia: Kiusam de Oliveira
- Direção de Produção: Ingrid Alecrim
- Acessibilidade: Cintia Alves (audionarradora) e Ricieri Palha (Libras)
