Com direção de Fernando Nitsch, a adaptação teatral do livro ‘Histórias Lindas de Morrer’ estreia no Teatro Vivo com reflexão sensível e poética sobre a finitude, o luto e a celebração da vida
A finitude humana e a busca por conexões profundas nos momentos mais cruciais da existência ganham uma tradução cênica inédita em São Paulo. No dia 2 de julho, o Teatro Vivo recebe a estreia de Histórias Lindas de Morrer, espetáculo teatral inspirado no livro homônimo da renomada médica geriatra e especialista em cuidados paliativos Ana Claudia Quintana Arantes. Idealizada pelos atores Letícia Cannavale e Fernando Nitsch — que também assina a direção —, a peça transporta para os palcos os relatos reais e tocantes coletados pela autora em seus anos de prática clínica.
A obra literária original, publicada pela Editora Sextante, já alcançou a impressionante marca de mais de um milhão de leitores, consolidando a médica como uma das vozes mais potentes no processo de desconstrução do tabu ocidental que envolve a morte. Nesta adaptação, assinada pelos dramaturgos Claudia Barral e Marcos Barbosa e produzida pela Brancalyone Produções, a transposição de linguagem busca ampliar o impacto social do tema, convidando o público a um diálogo transformador sobre o afeto, a despedida e a valorização autêntica da própria jornada.
“Quando se está próximo da morte, a percepção do que realmente importa viver se intensifica de maneira profunda.” — Dra. Ana Claudia Quintana Arantes
A estrutura dramática assume o formato de uma conferência íntima e poética. Em cena, Letícia Cannavale interpreta a própria médica durante a condução de uma palestra sobre cuidados paliativos. No entanto, à medida que a explanação avança, a barreira técnica se dissolve e a protagonista se vê imersa nas memórias afetivas e nas vivências das pessoas que cruzaram seu caminho. Dividindo o palco com Letícia, a atriz Tita Couto dá corpo e voz às nuances dessas narrativas repletas de grandeza e lucidez.
Esteticamente, o espetáculo aposta no equilíbrio entre o calor humano e a modernidade tecnológica. O cenário concebido por Marcio Macena flutua em uma atmosfera mutável, modificando-se à medida que as histórias se desdobram. Esse dinamismo visual é potencializado pelo videomapping da dupla André Grynwask e Pri Argoud (Um Cafofo) e pela iluminação precisa de Wagner Pinto, conferindo à montagem a profundidade emocional e a leveza reflexiva necessárias para tratar de temas tradicionalmente áridos.
Com uma bagagem profissional consolidada na escuta de pacientes em seus últimos capítulos de vida — inclusive como médica responsável pela unidade de cuidados paliativos (HOSPICE) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP —, Ana Claudia Quintana Arantes propõe um espelho para a plateia. A encenação não se debruça sobre a dor, mas equilibra momentos de severa reflexão com doses sutis de leveza e humor. O objetivo manifesto é instrumentalizar o público para que consiga ressignificar suas próprias perdas, lutos e dores, convertendo a consciência da finitude em urgência de afeto no presente.
O espetáculo conta com o copatrocínio da Libbs Farmacêutica, numa parceria que reflete a busca por discussões que extrapolam os limites dos consultórios tradicionais. Segundo Samanta Greghi, diretora de Comunicação e Experiência de Marca da companhia, o apoio visa estimular debates essenciais sobre o cuidado e o bem-estar social. “Acreditamos que a cultura tem um papel fundamental nesse processo e pode contribuir para uma sociedade mais saudável e consciente”, destaca.
A temporada em cartaz no Teatro Vivo estende-se até o dia 1º de outubro, com sessões programadas sempre às quartas e quintas-feiras, às 20h. A realização é uma parceria entre a Brancalyone Produções e a Cabana 34, apresentando uma oportunidade rara de encarar a mortalidade sob um prisma de profunda compaixão e reverência à vida.
Serviço
- Espetáculo: Histórias Lindas de Morrer (baseado na obra de Ana Claudia Quintana Arantes)
- Temporada: De 2 de julho a 1º de outubro de 2026
- Horários: Quartas e quintas-feiras, às 20h
- Local: Teatro Vivo – Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460, Vila Cordeiro, São Paulo – SP
- Ingressos: R$ 90,00 (inteira) e R$ 45,00 (meia-entrada) | Ingresso Social: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia-entrada)
- Vendas Online: site.bileto.sympla.com.br/teatrovivo
- Bilheteria: Aberta apenas nos dias de espetáculo, 2 horas antes do início da sessão.
- Duração: 80 minutos | Classificação indicativa: 12 anos | Capacidade: 274 lugares
- Acessibilidade: Espaço totalmente acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
- Estacionamento: Self Park (Entrada pela Rua Roque Petroni Jr., 1464). Valor fixo de R$ 30,00. Abre 2h antes e funciona até 30 minutos após o término.
Ficha Técnica
- Idealização: Fernando Nitsch e Letícia Cannavale
- Direção: Fernando Nitsch
- Assistência de Direção: Gisele Valeri
- Dramaturgia: Claudia Barral e Marcos Barbosa
- Elenco: Letícia Cannavale e Tita Couto
- Direção de Movimento: Marina Caron
- Cenografia: Marcio Macena
- Figurinos: Marcela Donato
- Iluminação: Wagner Pinto
- Trilha Sonora: Dan Maia
- Videomapping: André Grynwask e Pri Argoud (Um Cafofo)
- Direção de Produção: Edinho Rodrigues
- Produção Executiva: Fabricio Sindice e Jarbas Galhardo
- Realização: Brancalyone Produções e Cabana 34
