Montagem baseada em documentos reais, entrevistas e relatos de vida chega aos palcos no ano em que a Lei Maria da Penha completa duas décadas de vigência no Brasil
O espetáculo Divórcio estreia no dia 3 de julho, no Complexo Cultural Funarte SP, em São Paulo, trazendo ao palco uma reflexão sobre violência de gênero, patriarcado e os impactos dessas estruturas nas relações afetivas. Com dramaturgia assinada por Raissa Gregori e Alexandre Dal Farra, a montagem permanece em cartaz até 26 de julho, com apresentações às sextas e sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h.
A peça nasce de uma extensa pesquisa realizada ao longo de mais de dois anos, reunindo documentos históricos, entrevistas e relatos reais de mulheres e homens. O resultado é uma obra que atravessa diferentes épocas e contextos sociais para discutir como a violência de gênero se manifesta e se perpetua ao longo das gerações.
Em cena, as atrizes Raissa Gregori e Dina Alves conduzem o público por narrativas que conectam passado e presente. Entre as personagens está Maria Helena, uma mulher da elite paulistana dos anos 1980 que tenta compreender o fim de seu casamento durante um processo de separação marcado por relações de poder e desigualdade. Também surge Maria Sansão, migrante nordestina que enfrenta sucessivos relacionamentos abusivos e busca romper com ciclos de violência que parecem se repetir.
A dramaturgia incorpora ainda as vozes de mulheres contemporâneas que compartilham inquietações relacionadas ao amor, maternidade, trabalho e autonomia, além de relatos masculinos que abordam dúvidas, comportamentos e responsabilidades em uma sociedade ainda marcada pelo machismo.
O ponto de partida da criação foi a descoberta de cartas que registravam um processo de divórcio ocorrido na década de 1980 em uma família de classe média alta da capital paulista. O material despertou uma investigação mais ampla sobre as dinâmicas patriarcais presentes nas relações familiares e afetivas, levando a equipe a buscar depoimentos de especialistas, mulheres acolhidas em centros de referência e homens participantes de grupos reflexivos previstos pela Lei Maria da Penha.
A construção dramatúrgica também dialoga com referências literárias e documentais, incluindo relatos publicados na coletânea Histórias de Marias, organizada pela União de Mulheres, além de obras que abordam experiências de abuso, silêncio e trauma. A proposta é criar um encontro entre memória, documento, ficção e testemunho, evidenciando diferentes formas de violência e seus impactos na vida cotidiana.
A estreia acontece em um momento simbólico. Em 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos de vigência. Considerada um marco no combate à violência doméstica e familiar contra a mulher, a legislação ampliou mecanismos de proteção e responsabilização dos agressores. O período coincide ainda com a implementação de políticas públicas voltadas à prevenção dos feminicídios e ao enfrentamento da violência de gênero.
Sem oferecer respostas definitivas, Divórcio convida o público a refletir sobre questões que atravessam a vida privada e a esfera coletiva, discutindo amor, poder, heranças familiares e os desafios para romper ciclos de violência ainda presentes na sociedade contemporânea.
O projeto foi contemplado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura de São Paulo (ProAC).
Serviço
Divórcio
Quando: de 3 a 26 de julho de 2026
Horários: sextas e sábados, às 20h; domingos, às 18h
Onde: Complexo Cultural Funarte SP – Sala Carlos Miranda
Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos – São Paulo
Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Informações: @divorcioapeca
