Guardas municipais já são a segunda maior força de segurança do país

As guardas municipais se tornaram, nesta terça-feira (4), a segunda maior força de segurança pública do Brasil. Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revelou que essas corporações somam 107,4 mil agentes. Dessa forma, elas já superam o efetivo da Polícia Civil e ficam atrás apenas das Polícias Militares.

Um crescimento acelerado

De acordo com o estudo, intitulado “Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil”, as guardas municipais cresceram 12,9% entre 2023 e 2025. Em 2023, elas somavam 95,1 mil agentes. Hoje, o contingente está presente em pelo menos 1.384 municípios, espalhados por todos os estados brasileiros.

Enquanto isso, as demais corporações avançaram bem menos. A Polícia Militar, por exemplo, cresceu apenas 2,1% no mesmo período, e a Polícia Civil, 1%. Já as forças federais recuaram: a Polícia Federal perdeu 2,8% do efetivo, e a Polícia Rodoviária Federal, 4,3%.

Assim, a Polícia Civil, que antes ocupava a segunda posição com 95,9 mil agentes, caiu para o terceiro lugar, com 96,9 mil. A Polícia Militar segue na liderança, com 413,3 mil integrantes somando todos os estados.

O que impulsiona a expansão das guardas

Segundo o FBSP, o avanço das guardas municipais ocorre na esteira de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte reconheceu que os órgãos municipais de segurança podem realizar policiamento ostensivo, de forma equivalente às Polícias Militares. Contudo, a legislação ainda proíbe que essas guardas investiguem crimes ou usem o nome “Polícia Municipal” — atribuições exclusivas da Polícia Civil.

Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do FBSP, avalia que o crescimento segue uma tendência observada em outros países. Por outro lado, ele alerta para a falta de padronização entre as guardas. Segundo o pesquisador, muitas prefeituras ainda não sabem ao certo quantos agentes têm nem quantos estão armados.

Desafios de regulamentação e controle

O levantamento também identificou 44 municípios que mantêm mais guardas do que o previsto pela legislação local, considerando a proporção por número de habitantes. Para os pesquisadores, esse tipo de descompasso reforça a necessidade de regras mais claras sobre capacitação, orçamento e uso da força.

Ao mesmo tempo, o estudo aponta um problema na outra ponta do sistema: o país opera com apenas 55,2% do efetivo ideal de policiais civis, responsáveis pela investigação de crimes. Segundo Lima, portanto, o Brasil enfrenta hoje uma “recomposição assimétrica” nas forças de segurança — as guardas crescem rapidamente, enquanto corporações estratégicas para a investigação criminal perdem espaço.

Um debate que deve se intensificar

O papel das guardas municipais tende a ganhar ainda mais destaque no debate público. Afinal, o crescimento dessas forças ocorre justamente em um momento de grandes desafios de segurança nas metrópoles brasileiras. Diante disso, especialistas defendem que o avanço das guardas pode ajudar na integração entre as diferentes esferas da segurança pública — desde que venha acompanhado de capacitação adequada, regulamentação clara e respeito aos direitos humanos.


Fonte: informações compiladas a partir do estudo “Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e de veículos de imprensa que divulgaram os dados nesta terça-feira (4).

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