Lula em Taboão da Serra: presidente promete 3 milhões de casas e convoca militância para lançamento da campanha

A Grande São Paulo foi o palco, neste sábado (8), de um dos atos políticos mais esperados da pré-campanha presidencial. Em Taboão da Serra, no evento que marcou os 30 anos do MTST, o presidente Lula fez promessas ousadas em moradia, elogiou seus aliados paulistas e deixou um recado direto aos eleitores: a campanha oficial começa no dia 16 de agosto.

“Vamos chegar a 3 milhões de casas contratadas até dezembro”

Com a primeira-dama Janja e o ministro Guilherme Boulos ao seu lado, Lula exaltou a política habitacional do governo federal. O discurso misturou balanço, crítica aos antecessores e promessa de campanha.

“Esse país nunca teve um programa habitacional de verdade. Quando comecei a tentar fazer, o máximo que os empresários diziam que era possível eram 200 mil casas. Vamos chegar a 3 milhões de casas contratadas até dezembro”, afirmou o presidente, que complementou: “Vamos continuar entregando a chave das casas para as mulheres. Casa é um direito constitucional, todo mundo tem direito a morar, todo mundo quer um ninho para criar seus filhotes.”

Boulos, ex-coordenador do MTST e hoje ministro da Secretaria Geral, subiu ao tom. Em um discurso de soberania nacional — claramente direcionado à crise diplomática com os Estados Unidos —, o ministro alertou:

“Temos uma batalha para enfrentar nos próximos meses. Uma batalha entre a defesa do Brasil e quem quer o Brasil ajoelhado para qualquer potência estrangeira.”

Janja, mulheres e um pedido polêmico: banir o Discord

A primeira-dama Janja também falou ao microfone. Além de defender a retomada do Minha Casa Minha Vida com prioridade às mulheres e reforçar o “pacto Brasil contra o feminicídio”, ela repetiu um pedido que vem ganhando força nos últimos dias: o banimento da plataforma Discord no Brasil, após o caso de suicídio ao vivo de uma adolescente de 13 anos.

“O que acontece no submundo dessa plataforma é um absurdo. A misoginia corre solta. Só assim a gente pode garantir a segurança de nossas crianças e das mulheres”, disse Janja, em fala que promete gerar debate nas próximas semanas.

Elogios aos aliados e uma “amizade” com Trump

Lula ainda fez questão de reconhecer os nomes que encabeçam a chapa do campo petista em São Paulo: Fernando Haddad (PT), candidato ao governo do estado; Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), candidatas ao Senado; e Natalia Szermeta Boulos, candidata à Câmara. Sobre Tebet, o presidente destacou a “demonstração de coragem imensa” de deixar Brasília para disputar o pleito paulista.

Curiosamente, o presidente também mencionou Donald Trump — a quem chamou de “meu amigo Trump” — ao comentar os dados do Inpe que indicam queda do desmatamento ao menor patamar da série histórica.

“Esse novo tarifaço que tem para o Brasil, um dos motivos era que não cuidava do desmatamento. Quero preparar os números e mandar para o meu amigo Trump”, afirmou Lula, lembrando que no dia anterior (6) visitou a sede do Inpe em São José dos Campos, acompanhado do vice Alckmin e das ministras Luciana Santos e do meio ambiente.

O cartaz do fim da jornada

Ao final do discurso, Lula segurou um cartaz pedindo o fim da escala 6×1 — bandeira trabalhista que deve ecoar forte entre os eleitores urbanos — e convocou a militância para o grande evento de lançamento oficial da sua candidatura: dia 16 de agosto, no estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, o mesmo local onde tudo começou para o petista nas greves dos metalúrgicos do ABC, no fim dos anos 1970.

Ponto do discursoDetalhe
HabitaçãoPromessa de 3 milhões de casas contratadas até dezembro
Aliados em SPHaddad (governo), Tebet e Marina Silva (Senado)
TrumpChamado de “amigo”; envio de dados do desmatamento
Bandeira trabalhistaCartaz pelo fim da escala 6×1
Lançamento da campanha16/08, estádio 1º de Maio, São Bernardo do Campo

Em resumo, o ato de Taboão da Serra funcionou como um ensaio geral da campanha: moradia, mulheres, soberania nacional e a narrativa sindical de origem — os quatro pilares que Lula pretende usar para reconquistar o eleitorado paulista em 2026.

Fontes: Folha de S.Paulo, Poder360 (08/08/2026).

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