O que parecia ser um problema distante voltou a bater à porta dos paulistanos. Em menos de uma semana, o número de casos de sarampo no estado de São Paulo saltou de 16 para 23, e a capital concentra os sete novos registros. Além disso, a queda da cobertura vacinal acende um alerta vermelho nas autoridades de saúde, que agora correm contra o tempo para evitar a retomada de uma doença já considerada eliminada no país.
De 16 para 23 casos em apenas quatro dias
A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo (SES-SP) confirmou nesta sexta-feira (7) que o total de casos de sarampo no estado chegou a 23. Na última segunda-feira (3), o balanço apontava 16 registros. Em outras palavras, foram sete novos casos em apenas quatro dias — todos eles na cidade de São Paulo.
Dos 23 infectados, dois casos são de origem importada e os demais estão relacionados a essa importação. Ainda assim, as autoridades reconhecem que a fonte inicial da infecção permanece desconhecida, o que torna o cenário ainda mais delicado.
“Estamos considerando esses casos como relacionados à importação por conta do sequenciamento do tipo viral identificado. Até o momento, nós não sabemos qual foi a fonte inicial. Precisamos passar algumas semanas sem confirmação de novos casos para dizer que conseguimos interromper todas essas cadeias de transmissão”, explicou Tatiana Lang, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE-SP).
Curiosamente, 14 dos 23 pacientes não possuíam histórico de vacinação ou apresentavam esquema vacinal incompleto. Ou seja, o surto é, antes de tudo, uma consequência direta da queda na imunização da população.
São Paulo é o único estado com surto ativo no Brasil
Por outro lado, o dado mais preocupante é o contexto nacional. De acordo com o Ministério da Saúde, São Paulo é atualmente o único estado brasileiro com casos confirmados de sarampo — situação que caracteriza um surto ativo, definido pela existência de casos interligados que formam uma cadeia de transmissão do vírus em uma ou mais regiões.
Vale lembrar que o Brasil chegou a receber, em 2016, o certificado de eliminação do sarampo concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Posteriormente, o país perdeu esse reconhecimento em 2019, quando registrou cerca de 18 mil casos, e recuperou o certificado somente em 2024. Agora, o aumento dos casos em São Paulo volta a acender o alerta sobre a importância da vacinação.
Governo envia 230 mil novas doses às pressas
Diante da pressão, a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou que enviou 150 mil novas doses da vacina tríplice viral para a capital paulista e outras 80 mil doses para o município de São Bernardo do Campo, na tarde de quinta-feira (6).
Vale destacar que a tríplice viral protege contra três doenças ao mesmo tempo: sarampo, caxumba e rubéola. Por isso, a recomendação da SES-SP é que todos os moradores com idade entre 6 meses e 59 anos das cidades de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo sejam vacinados, mesmo que já tenham recebido o imunizante anteriormente.
Desde a última segunda-feira (3), o governo paulista promove uma campanha de multivacinação com foco no sarampo e na poliomielite. Contudo, há muitas reclamações de falta de vacinas nos postos de saúde da capital — um sinal de que a demanda superou, e muito, a estrutura disponível.
Por que a cobertura vacinal despencou?
Os números explicam boa parte do problema. Neste ano, a primeira dose da tríplice viral alcançou apenas 77,5% de cobertura e a segunda, meros 65,5% — bem abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde para ambas as doses. Em 2025, os percentuais eram de 94% e 84,4%, respectivamente.
| Indicador | 2025 | 2026 (atual) | Meta do Ministério da Saúde |
| Cobertura da 1ª dose da tríplice viral | 94% | 77,5% | 95% |
| Cobertura da 2ª dose da tríplice viral | 84,4% | 65,5% | 95% |
Consequentemente, a imunidade de rebanho — aquela proteção coletiva que impede o vírus de circular livremente — foi rompida em diversas regiões da capital.
O que você precisa fazer agora
Em primeiro lugar, verifique sua carteira de vacinação e a de seus filhos. Em seguida, procure o posto de saúde mais próximo — nos demais 642 municípios paulistas, a campanha de multivacinação está voltada a crianças e adolescentes de até 15 anos, mas na capital e na região metropolitana a recomendação se estende até os 59 anos.
Em suma, a mensagem das autoridades é clara: vacinar é a única forma eficaz de interromper a cadeia de transmissão do vírus e proteger quem não pode se vacinar, como bebês de menos de seis meses e pessoas imunossuprimidas.
Fontes: G1 São Paulo, TV Brasil — Repórter Brasil (08/08/2026).
