Uma notícia que pode salvar milhares de vidas chegou neste sábado (8): o teste genético capaz de identificar mutações hereditárias ligadas ao câncer de mama será oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A previsão é que o exame esteja disponível na rede pública até novembro — e ele pode fazer toda a diferença entre descobrir a doença a tempo ou só saber quando ela já avançou.
Como funciona o exame
O teste, ainda em fase de implementação, pode ser feito a partir de uma simples amostra de sangue ou saliva. A partir dela, os laboratórios analisam alterações em dois genes específicos: o BRCA1 e o BRCA2.
Antes de tudo, é importante entender: mulheres que carregam mutações nesses genes têm risco significativamente maior de desenvolver câncer de mama — e de transmitirem essa herança genética a filhas, irmãs e outras parentes. No SUS, o exame será oferecido gratuitamente a pacientes que já receberam o diagnóstico da doença, justamente para investigar se existe uma origem genética.
Segundo o oncogeneticista Gélcio Luiz Quintella Mendes, coordenador de Assistência do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o resultado muda o rumo do tratamento:
“Melhora a expectativa da paciente, seja porque vai fazer uma cirurgia menos agressiva, seja porque vai precisar de menos quimioterapia ou não vai nem precisar de quimioterapia”, explica Mendes, que destaca a participação de um profissional especializado, o oncogeneticista, na avaliação do risco.
O efeito em cascata: proteger a família inteira
Aqui está um dos pontos mais poderosos da medida. Como as mutações podem ser herdadas, identificar a alteração em uma paciente alerta toda a família — antes mesmo de qualquer tumor aparecer.
É o que explica Henrique Lima Couto, mastologista e presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Minas Gerais:
“É eventualmente testar esses familiares e iniciar as medidas profiláticas e preventivas, dentre elas a mastectomia redutora de risco, que é retirar as mamas antes de ter o câncer de mama porque ela era uma paciente mutada”, afirma o especialista.
A história de Lorrayne: o antes e o depois do teste
O caso de Lorrayne Raysla da Silva ilustra bem o poder do exame. Ao descobrir um nódulo na mama em exames de rotina — e com vários casos de câncer na família —, ela realizou um mapeamento genético por meio do convênio médico, que confirmou a existência de um fator hereditário.
Com o resultado em mãos, Lorrayne tomou uma decisão radical: retirar as duas mamas como forma de prevenção. “Depois do exame genético, nós decidimos retirar as duas mamas para que eu não tenha no futuro essa doença novamente”, contou. Para ela, a chegada do exame à rede pública é uma conquista para todas as mulheres:
“Vai proporcionar para as outras mulheres que têm esse caso na família, desse câncer de mama, e vai prevenir. Elas vão poder ficar mais atentas”, afirma.
Números que mostram a urgência
O Inca estima que mais de 78,6 mil novos casos de câncer de mama devem ocorrer no Brasil em 2026 — fazendo da doença o tipo de câncer mais incidente no país.
| Indicador | Situação |
| Novos casos de câncer de mama em 2026 | 78,6 mil (estimativa Inca) |
| Genes analisados | BRCA1 e BRCA2 |
| Tipo de amostra | Sangue ou saliva |
| Disponibilidade no SUS | Até novembro de 2026 |
| Público-alvo | Mulheres já diagnosticadas com a doença |
| Custo para a paciente | Gratuito |
O que muda a partir de novembro
Em primeiro lugar, o teste deixa de ser um privilégio da rede privada — hoje, esse tipo de exame é oferecido principalmente no setor privado, com custos que variam de centenas a milhares de reais. Em seguida, a expansão pelo SUS permitirá que pacientes de todo o país, especialmente as mais vulneráveis, tenham acesso a um diagnóstico preciso e a estratégias de tratamento personalizadas.
Vale lembrar ainda que, embora o exame seja gratuito, ele exige encaminhamento médico: converse com seu médico da UBS se você tem histórico familiar da doença ou já recebeu o diagnóstico.
Fontes: G1 / Jornal Nacional (08/08/2026).
