Estudo revela que usar IA nas lições piora notas em até 20%, diz pesquisa
Estudo revela que usar IA nas lições piora notas em até 20%, diz pesquisa
Um estudo divulgado neste domingo (9) pela Folha de S.Paulo acendeu um alerta entre pais, professores e estudantes do país inteiro: usar inteligência artificial para resolver o dever de casa reduz o desempenho em provas em cerca de 20%. O achado, publicado no artigo “The Generative AI Learning Penalty”, acompanhou mais de 25 mil estudantes chineses entre 12 e 18 anos e traz conclusões que têm tudo para mudar a forma como as escolas brasileiras lidam com a tecnologia.
O que os pesquisadores descobriram
A investigação foi conduzida pelo economista sueco David Strömberg, ao lado de Victor Lei e Yanhui Wu, da Universidade de Hong Kong, e acompanhou os alunos durante 30 meses, entre setembro de 2022 e junho de 2025. Nesse período, ferramentas chinesas como DeepSeek e ByteDance — com capacidade equivalente às ocidentais — foram lançadas e rapidamente adotadas pelos jovens.
O resultado foi contundente. Seis meses após começar a delegar as lições para a IA, os estudantes obtiveram notas 20% menores em provas mensais de nove disciplinas, quando comparados aos colegas que nunca usaram a ferramenta. Além disso, a queda variou conforme a matéria:
| Disciplina | Queda no desempenho |
|---|---|
| Humanas | 27% |
| Exatas | 22% |
| Inglês | 17% |
| Chinês | 9% |
Os efeitos foram ainda mais severos nos grandes exames de transição. No teste de ingresso ao ensino médio, a nota caiu 24% para quem usava a IA há pelo menos dois anos; no equivalente ao vestibular, o prejuízo foi de 18%.
O paradoxo que engana pais e professores
Aqui está o ponto mais contraintuitivo de toda a pesquisa: enquanto as notas nas provas despencavam, as notas do dever de casa subiram 18%, e o tempo para concluir as lições caiu 30%, de 64 para 45 minutos. Em outras palavras, o aluno parece evoluir no dia a dia, mas estagna no conhecimento real. Como consequência, a relação tradicional se inverte: quanto maior a nota na lição, menor a nota na prova.
“Nossa descoberta de que o desempenho nas provas deteriora gradualmente com o tempo de uso da ferramenta sugere que terceirizar a lição de casa pode prejudicar não apenas a retenção do material estudado naquele momento, mas também a capacidade de absorção de conteúdos no futuro”, afirma o estudo.
O problema não é a IA — é o uso
Strömberg, em entrevista à Folha, fez questão de destacar uma ressalva fundamental: não é o uso em si da IA que prejudica a aprendizagem, e sim a forma como ela é mobilizada. Quando a ferramenta funciona como um professor particular, ela ajuda; quando vira um “colega mais estudioso” para quem o aluno terceiriza a lição, ela sabota.
Para tarefas complexas, explicou o economista, a IA funciona como assistente, mas exige que o ser humano atue como um “gerente” que decide o que delegar e avalia se as respostas estão corretas. “Isso exige um alto grau de expertise. Parte dessa capacidade, que deveria estar sendo construída na escola, pode estar sendo perdida”, alertou.
O dado é especialmente preocupante no Brasil, onde a pesquisa TIC Educação aponta que 7 em cada 10 estudantes do ensino médio já utilizam inteligência artificial em trabalhos escolares.
Portanto, a lição é clara: a IA pode ser uma aliada poderosa nos estudos, desde que o estudante mantenha o hábito de pensar, errar e resolver sozinho. Do contrário, a conveniência de hoje pode custar o desempenho de amanhã.
Fontes: Folha de S.Paulo e pesquisa TIC Educação. Matéria produzida pelo Portal Divulga SP.
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