Espetáculo Hello, Édipo cruza tragédia grega, Foucault e vigilância urbana em São Paulo

O espetáculo Hello, Édipo estreia temporada gratuita em São Paulo com uma pergunta provocadora: o que acontece quando Édipo Rei, de Sófocles, encontra Michel Foucault em uma encruzilhada da cidade? A montagem é assinada pela Cia Veneno do Teatro e fica em cartaz de 31 de julho a 16 de agosto, na Sala Carlos Miranda, no Complexo Cultural Funarte SP.

Com o subtítulo Panóptico/Foucault, a peça convida o público a atravessar um território cênico incomum. Nele, tragédia, filosofia, poesia urbana e insurreição se misturam sem mediação.

Um mito grego deslocado para o confinamento

A montagem parte de Édipo Rei, uma das obras fundadoras do teatro ocidental. No entanto, o espetáculo Hello, Édipo desloca o mito para um ambiente completamente diferente: um espaço de confinamento, motim e vigilância permanente.

Nessa nova versão, Édipo assume papéis contraditórios. Ele é, ao mesmo tempo, o investigador e o investigado, o juiz e o réu, o soberano e sua própria ruína. Assim, a tragédia grega ganha novas camadas ao ser atravessada pelas reflexões de Michel Foucault sobre poder, controle, verdade e formas jurídicas.

Palco como tribunal, labirinto e campo de batalha

Em cena, um grupo de atores amotinados toma o espaço. Eles fazem do público uma espécie de refém, convocado a testemunhar sua própria versão da história.

A ação se passa em uma encruzilhada urbana, com o semáforo em pane e Foucault tentando consertar uma ordem impossível. Dessa forma, o palco se transforma em tribunal, labirinto e campo de batalha ao mesmo tempo. O resultado é uma experiência cênica intensa, em que o clássico e o contemporâneo se enfrentam diretamente.

Metateatro, rap e referências urbanas

A encenação combina diferentes linguagens: metateatro, rap, poesia, imagens em vídeo e referências filosóficas. Somada à visualidade urbana, essa mistura cria uma atmosfera que evoca os mitos ocultos dos guetos, das ocupações e das zonas de conflito da cidade.

Mais do que assistir, o espetáculo Hello, Édipo convoca o público a se implicar na história. Por isso, a peça deixa no ar perguntas incômodas: quem vigia, quem julga, quem fala e quem pode dizer a verdade?

Serviço

Hello, Édipo (Panóptico/Foucault) Período: 31 de julho a 16 de agosto Dias e horários: sextas e sábados, às 20h; domingos, às 18h30 Sessão extra: 15 de agosto, às 17h Local: Sala Carlos Miranda – Complexo Cultural Funarte SP Classificação etária: 12 anos Duração: 80 minutos Entrada: gratuita Reservas: pelo link do espetáculo ou na bilheteria, 1h antes da sessão Atenção: é necessário trocar o ingresso virtual por impresso no local

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