Eleição presidencial de 2026 tem Lula e Flávio Bolsonaro com alianças menores

Neutralidade de grandes partidos do Centrão muda cenário da disputa pelo Planalto e leva legendas a priorizarem eleições para o Congresso

A eleição presidencial de 2026 chega à fase de campanha com uma configuração diferente das últimas disputas pelo Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que lideram as pesquisas eleitorais, têm hoje um arco de apoio partidário menor do que aquele alcançado por suas respectivas forças políticas em 2022.

Além disso, grandes partidos associados ao Centrão decidiram não aderir formalmente a nenhum dos dois principais candidatos. A estratégia permite que essas legendas concentrem esforços nas eleições para a Câmara e o Senado e, ao mesmo tempo, mantenham autonomia para construir acordos estaduais.

Esse cenário ajuda a explicar uma característica incomum da eleição presidencial de 2026: segundo levantamento citado pela BBC News Brasil, apenas Lula conseguiu formar uma coligação com outras legendas. É a primeira vez desde 1989 que quase todas as candidaturas presidenciais chegam à disputa apoiadas somente pelos próprios partidos.

Centrão prioriza disputa pelo Congresso em 2026

Partidos do Centrão tradicionalmente ocupam posições relevantes na formação de maiorias no Congresso. Desta vez, porém, algumas dessas legendas optaram pela neutralidade nacional na corrida presidencial.

O Republicanos, por exemplo, decidiu não apoiar oficialmente nem Lula nem Flávio Bolsonaro. Dos diretórios do partido consultados antes da decisão, 19 defenderam neutralidade, enquanto sete preferiam apoio a Flávio e um apoiava Lula.

O PP também não repetiu formalmente o apoio dado à candidatura de Jair Bolsonaro em 2022. Dessa forma, as siglas mantêm maior liberdade para realizar alianças diferentes nos estados, de acordo com as disputas locais.

Além disso, especialistas ouvidos pela BBC relacionam o movimento ao fortalecimento do Congresso na execução do orçamento. Com bancadas maiores, os partidos aumentam sua participação nas emendas parlamentares e sua capacidade de negociar com o próximo governo, independentemente de quem vença a eleição.

Flávio Bolsonaro forma chapa com Alfredo Gaspar

A neutralidade das legendas de centro também afetou a formação da chapa de Flávio Bolsonaro.

Durante as negociações, a senadora Tereza Cristina, do PP, e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, ligada ao Republicanos, estiveram entre os nomes considerados para a vice-presidência. No entanto, a falta de apoio formal dessas siglas reduziu as possibilidades de composição com partidos externos ao PL.

Por fim, o escolhido foi o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). Assim, Flávio disputa a Presidência em uma chapa formada exclusivamente por integrantes do Partido Liberal.

A situação contrasta com 2022, quando Jair Bolsonaro disputou a reeleição com apoio de outras legendas, entre elas o PP.

Lula mantém partidos de esquerda, mas perde perfil de frente ampla

Do outro lado da eleição presidencial de 2026, Lula conseguiu reunir sete partidos em sua candidatura.

Além do PT, estão na aliança PCdoB e PV, que integram uma federação com o partido, além de PSOL, Rede, PSB e PDT. O atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), volta a ocupar a mesma posição na chapa.

Embora tenha formado uma coligação, Lula entra na campanha sem a mesma configuração da chamada “frente ampla” construída em 2022.

Na eleição anterior, o petista contou com dez partidos e também recebeu manifestações públicas de apoio de figuras que estavam fora da esquerda. Entre elas estavam nomes ligados ao mercado financeiro e políticos de centro. Esse tipo de adesão não se repetiu com a mesma intensidade em 2026 até o momento.

Assim, a atual composição de Lula permanece mais concentrada em partidos de esquerda e centro-esquerda.

Eleição presidencial de 2026 tem cenário partidário incomum

A redução das coligações não ocorre apenas entre os dois candidatos mais competitivos.

Segundo levantamento da Folha de S.Paulo citado pela BBC, Lula é o único candidato presidencial que conseguiu formar uma aliança com outras siglas até esta etapa do processo eleitoral. Os demais concorrem com chapas vinculadas aos próprios partidos.

O cenário representa uma mudança em relação às eleições presidenciais realizadas desde a redemocratização. Durante décadas, alianças entre diferentes legendas foram utilizadas para ampliar palanques estaduais, recursos de campanha e participação na propaganda eleitoral.

Agora, por outro lado, partidos maiores demonstram maior interesse em ampliar suas bancadas no Legislativo e negociar posteriormente com o vencedor da disputa presidencial.

Lula deve ter maior tempo de propaganda eleitoral

As diferenças entre as alianças também terão efeito sobre a propaganda eleitoral gratuita.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda precisa definir oficialmente o tempo destinado a cada candidatura. Segundo a apuração publicada pela BBC, o cálculo deve ser divulgado em 20 de agosto, depois do encerramento do prazo para registro das candidaturas.

Considerando as composições partidárias definidas nas convenções, Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) são os candidatos que devem ter direito ao horário gratuito no rádio e na televisão. A definição final, porém, cabe à Justiça Eleitoral.

Como o tempo considera a representação dos partidos das coligações no Congresso, Lula deve aparecer com a maior parcela, seguido por Flávio Bolsonaro.

PL terá maior parcela do Fundo Eleitoral

Apesar do isolamento partidário na disputa presidencial, o PL recebeu o maior valor do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para as Eleições 2026.

Segundo dados oficiais do TSE, o partido recebeu aproximadamente R$ 881,7 milhões. Já o PT aparece em segundo lugar, com cerca de R$ 615,4 milhões. Em seguida está o União Brasil, com aproximadamente R$ 526,2 milhões.

Ao todo, o Fundo Eleitoral de 2026 distribui aproximadamente R$ 4,9 bilhões entre 30 partidos. Os critérios consideram, entre outros fatores, os votos obtidos para a Câmara dos Deputados e a representação das legendas na Câmara e no Senado.

Dessa forma, a eleição presidencial de 2026 combina dois movimentos: os principais candidatos chegam com alianças nacionais mais restritas, enquanto os grandes partidos mantêm força financeira e parlamentar para disputar espaço no Congresso.

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