Justiça bloqueia R$ 1 bilhão em bens de ex-gestores da SP Regula por fraude na iluminação de SP

A decisão, desta sexta-feira (14), atende em parte o Ministério Público de SP. Enquanto isso, a investigação revela “mesadas”, áudios e um contrato de R$ 6,9 bilhões.

Um bilhão de reais. Esse é o valor dos bens bloqueados pela Justiça paulista nesta sexta-feira (14) contra ex-gestores e empresas investigados por suposto esquema de fraude na parceria público-privada (PPP) da iluminação pública de São Paulo. Portanto, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) decidiu bloquear R$ 1,02 bilhão em patrimônios do diretor-presidente da SP Regula, de ex-gestores do Ilume e da Secretaria de Serviços e Obras, além de empresas ligadas à concessão.

Quem são os alvos da decisão

Primeiramente, é preciso entender a lista de envolvidos. A determinação judicial mira seis alvos principais, todos vinculados à autarquia que administra a iluminação da capital.

AlvoCargo/Função
João Manoel da Costa NetoDiretor-presidente da SP Regula
Marcos Rodrigues PenidoEx-secretário municipal de Serviços e Obras de SP
Denise Maria Ayres de AbreuEx-diretora do Ilume (2017–2018)
FM Rodrigues & Cia. Ltda.Empresa investigada
CLD Construtora, Laços Detetores e EletrônicaEmpresa investigada
Concessionária Iluminação Paulistana SPE S.A.Concessionária da PPP

Vale destacar, contudo, que o TJSP negou o pedido de afastamento do presidente da SP Regula — um dos pontos mais duros do recurso apresentado pelo Ministério Público de São Paulo. Cabe recurso da decisão.

A história da fraude: de 2015 até hoje

Em primeiro lugar, o caso tem origem em 2015, quando a concorrência internacional da PPP foi aberta. Segundo o MP, houve favorecimento ao consórcio liderado pela FM Rodrigues, apesar de o consórcio Walks ter apresentado uma proposta R$ 5,6 milhões mais barata por mês. A exclusão do Walks, aliás, foi considerada ilegal pelo Judiciário.

Nesse cenário, as investigações revelaram que Denise Maria Ayres de Abreu, diretora do Ilume entre 2017 e 2018, recebia “mesadas” da FM Rodrigues para beneficiar a empresa. Gravações de áudio de 21 de março e 4 de dezembro de 2017 reforçam a suspeita de propina.

Em seguida, em 8 de março de 2018, o então secretário Marcos Rodrigues Penido assinou o contrato nº 003/SMSO/2018, no valor de R6,9bilho~es∗∗,comaConcessionaˊriaIluminac\ca~oPaulistana—ignorandorecomendac\co~espreˊviassobreasirregularidades.Eahistoˊriapiorou:em31deagostode2022,jaˊsobaSPRegula,foiassinadoumaditamentoqueincluiua∗∗redesemafoˊrica∗∗nocontrato,semlicitac\ca~o,gerandoacreˊscimode∗∗R6,9 bilhões**, com a Concessionária Iluminação Paulistana — ignorando recomendações prévias sobre as irregularidades. E a história piorou: em 31 de agosto de 2022, já sob a SP Regula, foi assinado um aditamento que incluiu a **rede semafórica** no contrato, sem licitação, gerando acréscimo de **R6,9bilho~es∗∗,comaConcessionaˊriaIluminac\c​a~oPaulistana—ignorandorecomendac\c​o~espreˊviassobreasirregularidades.Eahistoˊriapiorou:em31deagostode2022,jaˊsobaSPRegula,foiassinadoumaditamentoqueincluiua∗∗redesemafoˊrica∗∗nocontrato,semlicitac\c​a~o,gerandoacreˊscimode∗∗R 3,8 bilhões.

O volume que “desapareceu”

Por fim, um detalhe chamou a atenção dos investigadores. Em 10 de julho de 2026, o diretor da SP Regula, Marcos Augusto Alves Garcia, relatou em depoimento a suspeita de desaparecimento do volume físico nº 38 do processo administrativo — um indício grave que o MP citou para pedir também o impedimento de o presidente da autarquia acesse o prédio da agência.

Segundo o Ministério Público, o prejuízo direto aos cofres públicos chega a pelo menos R$ 513,3 milhões. Além do bloqueio, a Promotoria pede a conclusão da licitação original em 60 dias, o cancelamento do contrato e uma nova licitação dos serviços semafóricos em 120 dias.

O que isso significa para o paulistano

Dessa forma, a população de São Paulo acompanha um dos maiores casos de corrupção urbana da história recente da cidade. A iluminação pública afeta a segurança das ruas, os pedestres e até a conta de luz municipal. Enquanto a Justiça age sobre o patrimônio dos envolvidos, a cidade espera que o R$ 1 bilhão bloqueado sirva, um dia, para recompor o que foi desviado.

Fontes:

[1] g1 SP: Justiça bloqueia R$ 1 bilhão em bens de ex-diretora, ex-secretário e presidente da SP Regula

[2] g1 SP: MP pede bloqueio de R$ 1 bilhão

[3] g1 SP: Novos áudios reforçam suspeita de propina na licitação da PPP da iluminação de SP

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