Renan Santos abre campanha à Presidência de colete à prova de balas e promete “devastar” facções

O Largo São Francisco, berço histórico da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), recebeu neste domingo (16) um ato de campanha como poucos se lembra de ter visto na praça. O candidato Renan Santos (Missão) iniciou a corrida à Presidência da República vestindo um colete à prova de balas e prometeu “tingir o chão de vermelho com o sangue” dos criminosos — declarações que dividiram opiniões e já viralizam nas redes [1].

Em primeiro lugar, é preciso entender a escolha do local. De acordo com a equipe do candidato, Renan estudou Direito na USP e foi lá que “começou a fazer política estudantil e política de fato”. Dessa forma, o ato foi também uma mensagem de identidade: um retorno simbólico às raízes.

“Havia um plano pra me matar em cima deste parlatório”

Consequentemente, a cena mais comentada do evento foi a roupa do candidato. Segundo ele, as ameaças não são retórica — e sim concretas:

“Antes desse evento, tivemos que nos deparar com as primeiras ameaças de morte concretas. Havia um plano pra me matar em cima deste local, em cima desse parlatório. Hoje, esse colete que eu coloco não é um acessório para gravar vídeo em rede social.”

Renan contou ainda que recebeu ameaças por conta das investigações contra esquemas criminosos que seu partido afirma combater, e que a proteção balística é uma necessidade real. Enquanto isso, a imagem do candidato discursando de colete na escadaria do Largo São Francisco rapidamente se espalhou pelo Twitter, pelo Instagram e pelos grupos de WhatsApp paulistanos.

“Vamos tingir o chão de vermelho”

Ademais, o discurso foi marcado por agressividade verbal. Renan atacou simultaneamente Lula e Flávio Bolsonaro, e anunciou uma linha dura contra o crime organizado que promete tomar as manchetes dos próximos dias:

“Nosso governo precisa ser um governo de gente séria. Séria e ambiciosa, dura, rígida, firme contra todo mundo que quiser nos tratar como idiota. Os inimigos da nação serão todos enfrentados como inimigos.”

E foi além ao detalhar a promessa de segurança pública:

“Iremos às primeiras cidades tomadas pelo crime organizado e, com as forças policiais e as forças nacionais de segurança já no dia 6 de janeiro, nós vamos devastar os primeiros inimigos. Nós vamos tingir o chão de vermelho com o sangue desses vagabundos.”

Na tabela abaixo, veja os principais pontos do ato:

ItemDetalhe
LocalLargo São Francisco, em frente à Faculdade de Direito da USP
DataDomingo, 16/08/2026
Símbolo do atoColete à prova de balas (ameaças de morte concretas)
PresençasAroldo Medina (vice) e Kim Kataguiri (deputado, Missão-SP)
Pauta principalCrime organizado, terras raras e geopolítica

Geopolítica e “rastilho de pólvora”

Além disso, Renan apostou em temas que raramente aparecem nos palanques. Ele falou em terras raras, no fortalecimento militar do Brasil e em atrair “investimento estrangeiro” por meio de reformas na transição. Segundo ele, o país deveria “definir como será a geopolítica global” aproveitando seus recursos naturais estratégicos. No campo emocional, o candidato usou uma imagem inflamada:

“O que nós estamos detonando aqui é um processo. É um rastilho de pólvora, é uma fagulha que vai tornar o nosso país um país que desperta, porque hoje ele não está desperto.”

Ao final, de violão e gaita em punho, o candidato ainda cantou o jingle da campanha — um contraste curioso com o tom bélico do resto do discurso. Vale notar que Renan integra o partido Missão, que tem como aliado de peso em São Paulo o deputado Kim Kataguiri, presente no ato.

O tabuleiro se completa

Portanto, São Paulo foi palco de dois dos três grandes atos de abertura da campanha deste domingo: enquanto Lula escolheu o ABC paulista e Renan Santos o centro histórico da capital, Flávio Bolsonaro estreou em Copacabana. Em resumo, o maior colégio eleitoral do país concentra, mais uma vez, a disputa pelo Planalto — e as redes sociais prometem semanas de conteúdo polêmico.

Enquanto isso, as pesquisas de intenção de voto seguem aquecidas. De fato, a última Quaest, divulgada na sexta-feira (14), apontou Lula na frente, mas com Flávio e o campo alternativo pressionando [2]. Logo, cada frase nos palanques pode virar manchete — e “tingir o chão de vermelho” foi, sem dúvida, a que mais rendeu engajamento.

Fontes:

[1]: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/08/16/renan-santos-inicia-campanha-a-presidencia-em-sao-paulo.ghtml “G1 — Renan Santos inicia campanha no Largo São Francisco”

[2]: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/08/16/candidatos-a-presidencia-iniciam-campanha-neste-domingo-confira-atividades.ghtml “G1 — Candidatos iniciam campanha neste domingo”

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