Viver Eficiente: O Valor da Travessia

Existe uma ilusão confortável de que a vida deveria seguir um roteiro previsível. Mas basta um acontecimento inesperado para desmontar essa fantasia. É nesse instante que se revela uma verdade antiga: não são os dias tranquilos que moldam uma existência, e sim aqueles que ninguém gostaria de reviver.
As grandes transformações raramente chegam envoltas em celebração. Costumam surgir quando os planos fracassam, quando as respostas não aparecem e quando a espera parece interminável. A história da humanidade foi escrita assim. Também a trajetória de vida de cada pessoa.


O tempo tem um talento desconcertante: dar sentido ao que antes parecia apenas sofrimento. Aquilo que hoje pesa, amanhã pode ser lembrado como o instante em que uma nova compreensão começou a surgir. Não porque a dor tenha sido justa, mas porque ela nunca permanece exatamente a mesma depois de atravessada.


Há quem transforme a dificuldade em amargura. Há quem permita que ela amplie a própria capacidade de amar, compreender e escolher melhor. Essa diferença não nasce das circunstâncias, mas da maneira como cada um decide permanecer diante delas.


Em todas as fases da existência, a fé em DEUS deixa de ser um recurso para momentos extremos e passa a ocupar o lugar de fundamento. Não elimina as perdas, não antecipa respostas nem abre atalhos. Apenas sustenta quando quase tudo o mais parece insuficiente.


Talvez a maturidade tenha menos relação com a idade do que com a capacidade de olhar para trás sem desejar apagar as próprias cicatrizes. Afinal, elas não são apenas marcas do que feriu. São, sobretudo, a prova de que o tempo nunca leva embora a possibilidade de recomeçar.

Texto e ilustração do banco de imagens da fotógrafa: Kica de Castro

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