Um vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) nas redes sociais voltou a disseminar alegações falsas sobre vacinas contra a covid-19. O conteúdo alcançou milhões de visualizações e faz referência ao depoimento do imunologista norte-americano Anthony Fauci ao Senado dos Estados Unidos.
Estadão Verifica, BBC News Brasil e especialistas em saúde pública contestaram as principais afirmações apresentadas no vídeo. Entre os temas estão a hidroxicloroquina, a produção de vacinas e a eficácia das medidas de prevenção adotadas durante a pandemia.
Hidroxicloroquina não teve eficácia comprovada contra a covid-19
Uma das afirmações do vídeo diz que registros de Anthony Fauci indicariam que o imunologista considerava a hidroxicloroquina segura e eficaz contra a covid-19.
No entanto, os registros mostram outra situação. Fauci argumentava que as evidências disponíveis não comprovavam a eficácia do medicamento contra a doença.
Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda a hidroxicloroquina para prevenir ou tratar a covid-19. A entidade considera resultados de 30 estudos clínicos que envolveram mais de 10 mil pacientes.
Vacinas não contêm células fetais
Outro trecho do vídeo afirma que as vacinas contra a covid-19 teriam utilizado células de bebês abortados em sua produção.
Entretanto, entidades científicas e agências de checagem já contestaram essa afirmação. A Academia Americana de Pediatria afirma que as vacinas não contêm células fetais.
Alguns imunizantes podem utilizar determinadas linhagens celulares em etapas específicas de desenvolvimento ou produção. Porém, os fabricantes realizam processos de purificação durante a fabricação. Dessa forma, essas células não permanecem no produto final.
Estudos apontam eficácia de máscaras e distanciamento
O vídeo também questiona a eficácia do distanciamento social e do uso de máscaras durante a pandemia.
Entretanto, estudos científicos apontaram resultados diferentes. Uma análise publicada na revista médica The Lancet avaliou 44 estudos observacionais sobre medidas de prevenção.
Segundo os pesquisadores, o distanciamento físico de pelo menos 1 metro e o uso de máscaras reduziram a transmissão do vírus.
Portanto, as evidências analisadas não sustentam a afirmação de que essas medidas tenham sido simplesmente ineficazes.
Depoimento de Fauci não altera evidências científicas
Para a infectologista Denise Garrett, vice-presidente do Sabin Vaccine Institute, um dos problemas desse tipo de conteúdo está na combinação de fatos verdadeiros com conclusões que eles não sustentam.
Segundo a especialista, uma audiência no Senado pode investigar a atuação de autoridades públicas durante a pandemia. No entanto, esse processo não modifica as evidências científicas produzidas ao longo de anos de pesquisas.
Essas evidências incluem estudos sobre vacinas, tratamentos e medidas de prevenção contra a covid-19.
Por fim, os veículos responsáveis pelas checagens procuraram Nikolas Ferreira para comentar as afirmações. O deputado não respondeu até a publicação das reportagens. O espaço permanece aberto para manifestação.
Fontes: Estadão Verifica e BBC News Brasil.
