Garage Fuzz celebra 35 anos com lançamento do EP Powerplant

Novo trabalho reúne cinco faixas inéditas e uma nova versão de “Jaded”, reforçando a fase atual de um dos principais nomes do hardcore melódico brasileiro

O Garage Fuzz celebra 35 anos de trajetória com o lançamento de “Powerplant”, novo EP que reforça o atual momento criativo da banda de Santos. O trabalho reúne cinco músicas inéditas e uma nova gravação de “Jaded”, faixa apresentada originalmente no EP Grawlix, de 2024.

Este é o terceiro trabalho da formação que conta com Victor Franciscon nos vocais, ao lado de Wagner Reis e Nando Bassetto nas guitarras, Fabrício de Souza no baixo e Daniel Siqueira na bateria. Assim, o grupo dá continuidade à renovação iniciada nos últimos anos sem abandonar a identidade construída durante mais de três décadas de hardcore.

Gravado no estúdio OddSounds, em São Paulo, Powerplant tem produção musical de Gustavo Scaranelo. O novo material combina velocidade, peso e melodias com momentos mais cadenciados, além de explorar diferentes camadas de guitarra e vocais de apoio.

Powerplant olha para as pressões da vida contemporânea

Se a trajetória do Garage Fuzz poderia conduzir o grupo a um trabalho baseado apenas na nostalgia, Powerplant segue pelo caminho contrário.

As novas músicas concentram o olhar no presente e abordam questões como ansiedade, esgotamento mental, excesso de estímulos, pressão por produtividade e a dificuldade de interromper uma rotina que exige disponibilidade constante.

Nesse contexto, o próprio título funciona como uma metáfora. “Powerplant” significa uma usina de energia, imagem que representa uma estrutura em funcionamento contínuo.

Assim, a eletricidade atravessa o EP como símbolo de uma mente que produz, acumula e distribui energia sem parar. Ao mesmo tempo, essa força pode criar movimento ou provocar um colapso quando ultrapassa os próprios limites.

Segundo Victor Franciscon, as composições nasceram justamente da sensação de viver permanentemente conectado e sob pressão. Dessa forma, as letras transformam experiências ligadas à ansiedade e à sobrecarga em matéria para o hardcore.

Flashpoint transforma destruição em possibilidade de recomeço

Entre as músicas do novo trabalho está “Flashpoint”, faixa rápida que utiliza a imagem de um incêndio como símbolo de ruptura.

Na narrativa, alguém percebe que o lugar que deveria representar segurança se transformou em uma estrutura que o mantém preso. A partir disso, destruir simbolicamente esse espaço passa a representar uma possibilidade de começar novamente.

Dessa maneira, a faixa trabalha com uma ideia recorrente em Powerplant: romper ciclos pode exigir abandonar aquilo que parece familiar.

O EP, portanto, não se limita a representar o desgaste. As composições também procuram caminhos possíveis para reagir à sensação de paralisia.

Faixa-título leva conflito para dentro da mente

Já em “Powerplant”, o embate acontece principalmente no campo psicológico.

Pensamentos repetitivos, processos químicos, impulsos e a sensação de percorrer constantemente o mesmo caminho aparecem dentro de uma narrativa marcada pelo conflito interno.

A composição aproxima a imagem da eletricidade dos próprios impulsos mentais. Assim, aquilo que mantém uma pessoa em funcionamento também pode contribuir para o desgaste quando não encontra uma forma de desacelerar.

Enquanto isso, “Synergy” apresenta uma atmosfera menos turbulenta. A música direciona o olhar para os vínculos e para a possibilidade de encontrar algum equilíbrio por meio do encontro com outras pessoas.

Nesse caso, a energia deixa de aparecer apenas como sobrecarga e passa a representar uma força compartilhada.

Novo EP mantém identidade do Garage Fuzz

Apesar das novas abordagens, o Garage Fuzz mantém em Powerplant elementos que acompanham sua produção ao longo das últimas décadas.

Riffs rápidos, peso, melodias e mudanças de dinâmica permanecem no centro das composições. No entanto, a produção amplia as possibilidades de arranjos e trabalha com novas camadas instrumentais e vocais.

O baixista Fabrício de Souza explicou que o grupo procura incorporar novas referências sem abandonar a sonoridade construída durante sua história. Já a produção de Gustavo Scaranelo trouxe atenção especial para guitarras, arranjos de voz e diferentes texturas do EP.

Além das cinco músicas inéditas, o trabalho apresenta uma nova gravação de “Jaded”. A ideia de revisitar a faixa surgiu durante o processo realizado com a OddSounds, aproveitando a estrutura do estúdio e a nova proposta de produção.

Garage Fuzz completa 35 anos em atividade

Formado em Santos, em 1991, o Garage Fuzz construiu uma trajetória diretamente ligada ao desenvolvimento do hardcore melódico brasileiro.

Ao longo dos anos, o grupo criou uma sonoridade que aproxima referências do punk e do hardcore de linhas melódicas e guitarras marcantes. Agora, aos 35 anos, a banda mantém uma formação composta por Victor Franciscon, Wagner Reis, Nando Bassetto, Fabrício de Souza e Daniel Siqueira.

A longevidade não impediu mudanças. Pelo contrário, o Garage Fuzz atravessou diferentes formações e momentos da cena independente enquanto continuou produzindo novos trabalhos.

Com Victor Franciscon nos vocais, a banda iniciou uma nova etapa e passou a investir com maior frequência no formato de EP. Segundo Fabrício, o modelo permite lançar material novo sem abrir mão do cuidado dedicado às composições.

Powerplant abre espaço para novos caminhos

O lançamento também marca a parceria do Garage Fuzz com a OddSounds Music.

Além da produção do EP, a atual estratégia busca ampliar a presença da banda fora do Brasil. O produtor executivo Bruno Arruda aponta Powerplant como parte desse movimento de expansão internacional, preservando a identidade sonora do grupo.

Ao mesmo tempo, o trabalho reforça a permanência do Garage Fuzz dentro da cena independente brasileira.

Entre ansiedade e resistência, excesso e reconstrução, Powerplant utiliza a energia como fio condutor para retratar algumas das inquietações do presente.

Assim, os 35 anos de história funcionam menos como ponto de chegada e mais como combustível para uma banda que continua interessada em produzir novos caminhos dentro do hardcore.

Ficha técnica – Powerplant

Produção musical: Gustavo Scaranelo
Gravação, mixagem e masterização: Gustavo Scaranelo
Assistente de estúdio: Mauricio Frazatto
Produção executiva: Bruno Arruda e Sergio Bueno
Lançamento: OddSounds Music

Garage Fuzz

Voz: Victor Franciscon
Guitarra: Wagner Reis
Guitarra: Nando Bassetto
Baixo: Fabrício de Souza
Bateria: Daniel Siqueira

Todas as letras e músicas são assinadas pelo Garage Fuzz.

Instagram dos envolvidos

Garage Fuzz — @garagef
Victor Franciscon — @gvbel_
Wagner Reis — @wr.cafe
Nando Bassetto — @nandobassetto
Fabrício de Souza — @fabriciofuzz
Daniel Siqueira — @danielsickera
Gustavo Scaranelo — @gustavoscaranelo
OddSounds Music — @oddsounds.music

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