Aprender também significa aceitar que o mundo pode ter mudado enquanto ainda acreditamos saber como ele funciona.
Existe uma armadilha confortável na vida adulta: confundir experiência com conhecimento. Depois de alguns anos, certas certezas ganham a aparência de verdade definitiva. E aquilo que um dia foi aprendizado passa a ser usado como argumento contra qualquer coisa que venha depois.
Quase todo mundo passou por uma sala de aula. Poucos, por isso, conhecem a complexidade de educar. Ter sido aluno não transforma ninguém em especialista em aprendizagem, assim como ter adoecido não torna alguém médico. A experiência tem valor. O problema começa quando ela deixa de ser ponto de partida e passa a funcionar como sentença.
Profissionais compreendem isso todos os dias. Médicos estudam novas descobertas. Jornalistas buscam informações. Arquitetos acompanham técnicas e materiais. Em tantas áreas, continuar aprendendo faz parte do próprio ofício. Ninguém deveria se sentir menor por reconhecer que um conhecimento antigo precisa ser atualizado. Menor é acreditar que nada mais pode ser ensinado.
Pense em um adulto com deficiência que optou por interromper sua formação porque considera suficiente tudo o que já aprendeu. Enquanto tecnologias avançam, direitos se ampliam e o trabalho muda, ele permanece fiel ao próprio repertório. Nesse caso, a limitação não estaria na deficiência, mas na recusa em atualizar-se.
Na educação, a cena se repete com outra aparência. Alguns adultos chegam às discussões escolares munidos principalmente das lembranças de quando eram crianças. Julgam métodos, professores e condutas com referências de uma escola que já mudou. A antiga carteira parece ter vindo acompanhada de um diploma invisível em educação.
Quando surge um conflito, nem sempre a primeira pergunta é “o que aconteceu?”. Muitas vezes, chegam antes as certezas. Uma mensagem é enviada, outra responde, versões se acumulam e uma situação que poderia ser resolvida entre poucos adultos, rapidamente ganha uma plateia. A quinta série não ficou na escola. Apenas ganhou espaço na internet.
Para alunos com deficiência, esse comportamento cobra um preço ainda maior. Uma barreira de acessibilidade, uma atitude capacitista ou uma dificuldade de aprendizagem pede informação, diálogo e responsabilidade. Antes da opinião, existe o fato. Antes da reação, existe a criança. Participar da vida escolar de um filho é legítimo. Pretender conhecer todos os lugares porque um dia ocupamos uma sala de aula é outra coisa.
Poder amadurecer intelectualmente tenha menos relação com acumular respostas do que com preservar a capacidade de fazer novas perguntas. O mundo muda,conhecimento se renova e a questão é saber se nós mudamos junto.
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