
“Eu não preciso saber mais do que ninguém. Preciso apenas continuar aprendendo para que o mundo que muda não decida, por mim, até onde posso chegar.” – Ariete Angotti , modelo com nanismo
Experiência abre portas. Atualização impede que elas se fechem.
No mercado de trabalho, é possível observar uma cena recorrente: alguém menciona os anos de carreira como quem apresenta um álibi. Vinte anos de profissão, quinze de empresa, uma coleção respeitável de cursos e histórias. Nesse lugar de conforto, qualquer novidade parece uma afronta à experiência acumulada.
É uma confusão bastante humana: conhecer profundamente o que funcionou no passado não significa, necessariamente, compreender o que está mudando no presente, muito menos antecipar o que está por vir.
O mundo profissional troca ferramentas, linguagens e hábitos com uma velocidade que não respeita biografias. Uma competência admirável em determinada época pode se tornar apenas um capítulo antigo quando novas formas de executar uma função surgem.
Para a pessoa com deficiência, essa questão ganha outra espessura. O acesso ao mercado de trabalho já foi, e ainda é , cercado por barreiras físicas, culturais e profissionais. Depois da conquista de uma oportunidade, surge uma exigência que vale para todos, mas que não pode ignorar desigualdades: continuar aprendendo para acompanhar as transformações da própria área. Não se trata de competir. Nem de transformar cada curso em medalha, cada certificado em troféu ou cada colega em adversário.
Aprender pode ser uma experiência muito menos barulhenta: descobrir uma ferramenta que facilita o trabalho, compreender uma tendência antes que ela se torne regra, perceber que uma antiga certeza precisa ser revista. Também existe uma dimensão de saúde mental nessa escolha. Quem aprende mantém uma conversa aberta com o próprio tempo. Não porque precise correr atrás dele, mas porque ainda consegue dialogar com aquilo que muda.
A experiência continua valiosa. O problema começa quando ela deixa de ser repertório e passa a funcionar como argumento contra a novidade. Ninguém precisa saber mais que ninguém. O trabalho não é um campeonato de inteligência. Por fim, continuar estudando pode ser apenas uma forma adulta de reconhecer uma coisa desconfortavelmente simples: o mundo não tem obrigação de permanecer igual para confirmar aquilo que aprendemos.
“Eu não preciso saber mais do que ninguém. Preciso apenas continuar aprendendo para que o mundo que muda não decida, por mim, até onde posso chegar.” – Ariete Angotti , modelo com nanismo
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