Don Carlo retorna ao Theatro Municipal de São Paulo após 21 anos

Após 21 anos, a ópera Don Carlo, de Giuseppe Verdi, retorna ao Theatro Municipal de São Paulo em nova montagem. Espetáculo será apresentado entre 18 e 26 de setembro, com regência de Roberto Minczuk e direção de Caetano Vilela.

Após 21 anos, Don Carlo, uma das principais óperas de Giuseppe Verdi, volta ao palco do Theatro Municipal de São Paulo. A nova montagem integra as comemorações pelos 115 anos de um dos mais importantes espaços dedicados à ópera no país.

Baseada na peça Don Carlos, de Friedrich Schiller, a obra será apresentada entre os dias 18 e 26 de setembro, com regência de Roberto Minczuk e encenação e iluminação de Caetano Vilela.

A montagem reúne a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coro Lírico Municipal, além de dois elencos formados por nomes de destaque da cena lírica nacional e internacional.

Don Carlo aborda poder, religião e conflitos familiares

Com aproximadamente quatro horas e meia de duração, incluindo dois intervalos, Don Carlo apresenta uma narrativa marcada por conflitos políticos, religiosos e familiares.

A história acompanha relações de poder e disputas pessoais em meio a questões envolvendo liberdade, fé e interesses políticos. Ao mesmo tempo, a ópera desenvolve o relacionamento entre Don Carlo e Elisabetta, elemento central da trama.

A obra de Verdi tem cinco atos e conta com libreto de Méry e Camille du Locle, baseado na peça de Friedrich Schiller, posteriormente adaptada para o italiano por Achille de Lauzières e Angelo Zanardini.

Nova montagem aposta em estética expressionista

A direção cênica e a iluminação são assinadas por Caetano Vilela, que já havia trabalhado com a ópera anteriormente, em uma produção apresentada em Bogotá, em 2012.

Desta vez, entretanto, Vilela assume também a direção e desenvolve uma nova abordagem visual para a montagem. Segundo o diretor, a concepção partiu de elementos presentes na peça de Schiller e busca criar um ambiente marcado pela opressão e pelo alto contraste.

O cenário utiliza paredes pintadas em uma linguagem ligada ao expressionismo abstrato, com referências à tradição do action painting. A composição trabalha principalmente com preto, branco e cinza, criando uma paisagem visual que se transforma de acordo com a iluminação.

Dessa forma, a luz assume papel importante na construção dos diferentes ambientes da ópera. As formas inicialmente abstratas ganham novos significados conforme a narrativa avança.

Elencos reúnem artistas brasileiros e internacionais

A temporada de Don Carlo no Theatro Municipal de São Paulo contará com dois elencos.

Nas apresentações dos dias 18, 20, 23 e 26 de setembro, Atalla Ayan interpreta Don Carlo. O elenco também conta com Ailyn Pérez como Elisabetta di Valois, Luiz-Ottavio Faria como Filippo II, Ana Lucia Benedetti como Eboli e Paulo Szot como Marquês de Posa.

Completam o elenco dessas datas Soloman Howard, como O Grande Inquisidor; Savio Sperandio, como O Frade; Isabella Luchi, como Tebaldo; e Raquel Paulin, como A Voz do Céu.

Já nos dias 19, 22 e 25 de setembro, Matheus Pompeu assume o papel de Don Carlo. Ludmilla Bauerfeldt interpreta Elisabetta de Valois, enquanto Savio Sperandio será Filippo II e Juliana Taino, Eboli.

Também participam desse segundo elenco Michel de Souza, como Marquês de Posa; Valeriano Lanchas, como O Grande Inquisidor; Sérgio Righini, como O Frade; Nubia Eunice, como Tebaldo; e Lívia Berrêdo, como A Voz do Céu.

Em todas as apresentações, Eduardo Góes interpreta o Conde de Lerma, Carlos Eduardo Santos faz o Arauto e Patrícia Vilela interpreta a Condessa de Aremberg.

Atalla Ayan destaca complexidade do protagonista

Para o tenor Atalla Ayan, que interpreta Don Carlo em parte da temporada, o protagonista é um personagem de grande complexidade.

O artista destaca principalmente as dimensões política e histórica presentes na trajetória do personagem. A disputa envolvendo Don Carlo, seu pai, Filippo II, e a questão de Flandres estão entre os elementos que contribuem para a densidade da obra.

Além dos conflitos políticos, a ópera também apresenta relações familiares e afetivas que aprofundam a trajetória dos personagens.

Don Carlo celebra 115 anos do Theatro Municipal

A nova montagem de Don Carlo acontece em um momento simbólico para o Theatro Municipal de São Paulo, que celebra 115 anos de história.

Ao longo da temporada, a produção combina a tradição da obra de Verdi com uma proposta cênica contemporânea. Assim, a montagem utiliza cenário, luz, figurinos e interpretação para apresentar ao público uma nova leitura da ópera.

A criação reúne Duda Arruk na cenografia, Fabio Namatame na criação e produção de figurinos e Simone Momo no visagismo. A assistência de direção é de Ronaldo Zero, enquanto Hernán Sánchez Arteaga assina a regência do Coro Lírico Municipal.

Serviço

Don Carlo

Ópera: Don Carlo, de Giuseppe Verdi
Local: Theatro Municipal de São Paulo
Orquestra: Orquestra Sinfônica Municipal
Coro: Coro Lírico Municipal
Regência: Roberto Minczuk
Encenação e iluminação: Caetano Vilela

Datas e horários:

  • 18 de setembro, sexta-feira, às 19h
  • 19 de setembro, sábado, às 17h
  • 20 de setembro, domingo, às 17h
  • 22 de setembro, terça-feira, às 19h
  • 23 de setembro, quarta-feira, às 19h
  • 25 de setembro, sexta-feira, às 19h
  • 26 de setembro, sábado, às 17h

Ingressos: de R$ 47 a R$ 290 (inteira)
Duração: aproximadamente 4h30, com dois intervalos
Classificação: não recomendado para menores de 14 anos.

Ficha técnica

Cenografia: Duda Arruk
Criação e produção de figurinos: Fabio Namatame
Assistente de direção: Ronaldo Zero
Visagismo: Simone Momo
Regência do Coro Lírico Municipal: Hernán Sánchez Arteaga

Elenco de apoio: Alessandra Helena, Antônio Bénega, Cristiano Belarmino, Diego Machado, Eduardo Martins, Gabriel Ducati, José Geraldo, Leila Bass, Nill de Pádua, Rodrigo Manzelli, Roni Máximo, Vini DaVinci, Wanderley Salgado e Washington Lins.

Artigo apoiado por:

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