Renan Santos aciona TSE contra reajuste de 15% do Bolsa Família

Candidato do Missão pede suspensão do aumento que eleva o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691; governo afirma que medida recompõe a inflação

O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o reajuste de 15% do Bolsa Família anunciado pelo governo federal nesta quinta-feira (17).

Na ação, Renan pede que o tribunal suspenda o aumento até a posse dos candidatos eleitos em 2026. O processo foi distribuído ao ministro André Mendonça, que será o relator.

O candidato questiona o momento escolhido pelo governo para conceder o reajuste. Segundo Renan, a medida pode afetar a igualdade entre os concorrentes durante o período eleitoral.

Bolsa Família terá aumento de 15%

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (17) uma atualização de 15,04% nos valores do Bolsa Família.

Com a mudança, o benefício mínimo por família passa de R$ 600 para R$ 691. Além disso, o valor médio sobe de R$ 675 para R$ 777.

O governo afirma que o reajuste recompõe a inflação acumulada entre março de 2023 e agosto de 2026. Para chegar ao percentual, a equipe econômica utilizou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

A atualização também altera outros valores do programa. O benefício por integrante passa para R$ 164. Já o adicional da primeira infância sobe para R$ 173 por criança. O benefício variável passa para R$ 58.

Novo valor começa a valer em outubro

O decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entra em vigor na data da publicação. No entanto, o efeito financeiro começa em 1º de outubro.

Os pagamentos com os novos valores começam em 19 de outubro, segundo informações divulgadas sobre o calendário do programa.

Assim, o primeiro pagamento reajustado ocorrerá poucas semanas antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro caso a disputa chegue a essa etapa.

Renan questiona medida na Justiça Eleitoral

Renan Santos argumenta que o reajuste pode interferir na disputa eleitoral.

Em manifestação divulgada nesta quinta-feira, o candidato classificou a medida como “populista e criminosa” e anunciou que buscaria a Justiça Eleitoral. Posteriormente, sua campanha protocolou a representação no TSE.

Na ação, Renan pede uma decisão liminar para interromper o aumento até a posse dos eleitos.

Além disso, o candidato sustenta que o reajuste poderia criar um desequilíbrio entre os concorrentes. Esse argumento, porém, ainda será analisado pelo tribunal.

Governo afirma que reajuste repõe inflação

O governo federal apresenta outra justificativa para a medida.

Segundo a equipe econômica, o reajuste busca recuperar o poder de compra das famílias beneficiárias. O governo também afirma que a atualização segue a inflação acumulada no período definido pelo decreto.

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, informou que o impacto da medida deve chegar a R$ 5,8 bilhões em 2026. Para 2027, a estimativa chega a R$ 22 bilhões.

Além disso, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo incorporará o reajuste ao orçamento dentro das regras fiscais.

TSE já analisou outra ação sobre o reajuste

A ação de Renan não foi a primeira contestação contra o aumento.

Mais cedo nesta quinta-feira, o ministro André Mendonça rejeitou uma ação apresentada pelo deputado federal Zé Trovão (PL-SC). Nesse caso, o ministro encerrou o processo por uma questão processual.

Mendonça entendeu que Zé Trovão não tinha legitimidade para apresentar aquela contestação contra o reajuste no contexto da disputa presidencial.

Agora, entretanto, Mendonça também recebeu a ação apresentada por Renan Santos. O novo processo terá análise própria.

Pedido de Renan ainda aguarda decisão

O protocolo da ação não suspende automaticamente o reajuste.

Por enquanto, o benefício continua com a atualização prevista pelo decreto. O novo valor começa a produzir efeitos financeiros em outubro, conforme estabeleceu o governo.

Ao mesmo tempo, o TSE ainda precisa analisar o pedido apresentado por Renan.

Por isso, o resultado da ação pode definir se o reajuste seguirá normalmente durante o período eleitoral ou se haverá alguma mudança por determinação judicial.

Debate ocorre durante a campanha eleitoral

O reajuste chega ao debate público em meio à campanha para as Eleições 2026.

Renan Santos é um dos candidatos à Presidência e colocou o aumento do Bolsa Família entre os temas de sua campanha nesta quinta-feira. Além disso, outros candidatos também criticaram a medida e questionaram seu caráter eleitoral.

Por outro lado, o governo mantém a justificativa de que o aumento representa uma correção inflacionária do benefício.

Dessa forma, o caso reúne duas discussões diferentes: a atualização dos valores de um programa social e os limites da legislação eleitoral para mudanças em benefícios durante um ano de eleição.

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Fontes: TSE | Agência Brasil | CNN Brasil | UOL | Reuters.

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