Após temporada no Sesc Vila Mariana, BIGORNA – um thriller autoficcional reestreia em São Paulo para uma curta temporada na Casa Farofa, no Bixiga. O espetáculo, escrito, dirigido e interpretado por Walmick de Holanda, será apresentado nos dias 18, 19, 20, 25, 26 e 27 de setembro de 2026.
As sessões acontecem às sextas e sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h. Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada).
Espetáculo mistura memória, horror e cultura pop
Criado a partir de memórias pessoais e de uma história familiar, BIGORNA – um thriller autoficcional combina autoficção, teatro documental, humor e terror.
Ao mesmo tempo, o espetáculo utiliza referências da cultura pop para abordar experiências de exclusão e a busca por pertencimento.
A dramaturgia parte de uma lembrança familiar de Walmick. Seu tio permaneceu por cerca de três décadas confinado em um quarto gradeado, em razão de uma condição que nunca recebeu diagnóstico.
Na infância, Walmick enxergava essa situação por meio do imaginário dos filmes de terror. Com o passar dos anos, porém, essa memória ganhou novos significados.
A história familiar passou a dialogar com a própria trajetória do artista. Homem gay e gordo, Walmick também enfrentou situações de bullying e encontrou pertencimento na comunidade dos Ursos.
Assim, BIGORNA aproxima experiências distintas de exclusão e transforma essas memórias em matéria para a cena.
Infância aparece entre fantasia e realidade
A relação entre memória, fantasia e realidade também aparece nos objetos e nas referências utilizadas durante o espetáculo.
Xuxa, Power Rangers, Michael Jackson, divas pop e o cinema de horror fazem parte desse universo.
Esses elementos ajudam a construir a perspectiva de uma criança que tenta compreender acontecimentos dentro da própria família. Além disso, eles criam uma ponte entre lembranças pessoais e referências compartilhadas por diferentes gerações.
Para Walmick, essa relação está no centro da criação.
“Percebi que o medo que eu tinha de me transformar no meu tio era, na verdade, o medo de me tornar o diferente da família, alguém destinado a viver à margem.”
Dessa forma, o espetáculo transforma uma memória familiar em uma investigação sobre identidade, diferença e pertencimento.
Crítica destaca humor e experiência de exclusão
A montagem também recebeu atenção de críticos durante sua trajetória.
Para Celso Faria, do site E-Urbanidade, o espetáculo se destaca pela combinação entre dramaturgia e encenação. O crítico chama atenção, ainda, para o uso de elementos visuais que aproximam memória e ficção.
Já o fotógrafo, pesquisador e doutorando no Instituto de Artes da Unesp Bob Sousa destaca o trabalho de Walmick em cena.
Segundo ele, a atuação transita entre humor, vulnerabilidade e exposição autobiográfica, sustentando diferentes registros ao longo da apresentação.
Criação começou em pesquisa acadêmica
O desenvolvimento de BIGORNA – um thriller autoficcional começou em 2022, a partir da pesquisa de mestrado de Walmick de Holanda em Artes pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
Posteriormente, o projeto também contou com a participação do artista no Núcleo de Direção da Escola Livre de Teatro de Santo André. O processo teve supervisão de Luiz Fernando Marques Lubi.
Com isso, a montagem marca a estreia profissional de Walmick como dramaturgo e diretor.
Sinopse
A autoficção de um homem gay e gordo, nascido em uma sexta-feira 13 de lua cheia, ganha forma a partir de lembranças da infância e da adolescência.
Entre horror, humor, cultura pop e memória, BIGORNA – um thriller autoficcional constrói um thriller poético sobre a desconexão entre ser, estar e pertencer.
Ficha técnica
Atuação, direção e dramaturgia: Walmick de Holanda
Supervisão artística: Luiz Fernando Marques Lubi
Orientação teórica e provocação artística: Francis Wilker
Desenho de luz e operação: Felipe Tchaça
Assistente de direção: Danilo Martim
Preparação corporal: Hélio Toste
Figurino: Larissa Torres
Cenário: Walmick de Holanda
Técnico e operador de som e vídeo: Danilo Martim
Equipe de Libras: Coragem Criativa – Camiss Delfino, André Bruno e Caê Coragem
Audiodescrição: Dylan Garbini
Apoio da audiodescrição: Paula Felix
Cenotécnica: Renato Simões
Costureira: Silvana de Carvalho
Projeto gráfico: Walmick de Holanda
Fotos de divulgação: Julio Arakack
Registros fotográficos e em vídeo: Cacá Bernardes – Bruta Flor
Mídias sociais: Hayla Cavalcanti
Assessoria de imprensa: Canal Aberto Comunicação
Produção: Corpo Rastreado – Gabs Ambròzia
Serviço
BIGORNA – um thriller autoficcional
Local: Casa Farofa
Endereço: Rua Treze de Maio, 240 – Bixiga, São Paulo, SP
Datas: 18, 19, 20, 25, 26 e 27 de setembro de 2026
Horários:
Sextas e sábados, às 20h
Domingos, às 18h
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Lotação: 60 pessoas
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 70 minutos
Instagram dos participantes
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