Filme “Vem Comer com a Gente – Cozinhas Solidárias” estreia em São Paulo e mostra como os espaços de alimentação também se tornaram pontos de encontro, trabalho e organização comunitária
Cinco anos após o surgimento das primeiras Cozinhas Solidárias, o documentário “Vem Comer com a Gente – Cozinhas Solidárias” acompanha pessoas que têm suas histórias atravessadas por esses espaços em diferentes regiões do Brasil.
Dirigido por Thomaz Pedro, o filme estreia nesta quinta-feira, 17 de setembro, às 19h30, no Espaço Petrobras de Cinema, em São Paulo.
A produção também ficará disponível online até 2 de outubro. Depois disso, seguirá para um circuito de distribuição de impacto e para festivais de cinema.
Um olhar para além da comida
O documentário parte de uma função central das Cozinhas Solidárias: oferecer alimentação gratuita e de qualidade para pessoas em situação de vulnerabilidade e insegurança alimentar.
No entanto, a produção procura mostrar também o que acontece ao redor das refeições.
Ao longo do filme, a câmera acompanha pessoas que cozinham, comem, trabalham, participam de atividades e constroem relações nesses espaços.
Assim, as cozinhas aparecem como locais de acolhimento, convivência, trabalho, organização comunitária e participação social.
O Programa Cozinha Solidária foi instituído pela Lei nº 14.628/2023 e regulamentado pelo Decreto nº 11.937/2024. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a iniciativa tem como objetivo apoiar a oferta de alimentação gratuita e de qualidade, principalmente para pessoas em situação de vulnerabilidade, insegurança alimentar e população em situação de rua.
Da pandemia à política pública
A história retratada pelo filme começou em 2021, durante a pandemia de Covid-19.
Naquele período, as primeiras Cozinhas Solidárias foram criadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) como uma resposta às dificuldades enfrentadas por famílias em situação de vulnerabilidade.
Com o passar dos anos, a iniciativa ganhou novas dimensões e passou a integrar uma política pública nacional de combate à fome.
Atualmente, o Programa Cozinha Solidária prevê diferentes formas de apoio. Entre elas estão o financiamento para a oferta de refeições, o fornecimento de alimentos e ações de formação para colaboradores.
Em 2025, por exemplo, o MDS informou que 384 cozinhas habilitadas receberam apoio, responsável pela oferta de aproximadamente 13 milhões de refeições ao longo de 12 meses.
Cinco personagens e diferentes realidades
Para apresentar essa diversidade, o documentário acompanha cinco personagens em cidades de diferentes regiões do país.
No Rio de Janeiro, Jonathan é entregador de aplicativo. Para ele, a cozinha representa não apenas um lugar para fazer uma refeição, mas também um ponto de encontro entre trabalhadores.
Em Maceió, Mila passou pela experiência da fome e hoje trabalha na preparação de refeições para outras pessoas. A cozinha também está inserida em uma ocupação do MTST, onde acontecem atividades de saúde, cultura, formação e convivência.
Já em Santo André, Patrícia é mãe solo e chefe de família. No cotidiano dela e dos filhos, a cozinha aparece como espaço de alimentação, apoio e convivência.
Em Santa Isabel, no interior de São Paulo, Fernando apresenta outra etapa dessa cadeia. Agricultor familiar e fornecedor das Cozinhas Solidárias, ele mostra o caminho dos alimentos antes de chegarem ao prato.
Por fim, em Porto Alegre, Lili participa da rotina de uma cozinha que acolhe pessoas em situação de rua. O espaço também cria possibilidades de convivência e participação no trabalho voluntário.
A cozinha como espaço de encontro
A partir dessas cinco histórias, “Vem Comer com a Gente – Cozinhas Solidárias” amplia o debate sobre o papel desses espaços.
O filme mostra que, além da alimentação, as cozinhas podem estabelecer conexões com diferentes dimensões da vida cotidiana.
Entre elas estão o trabalho, a agricultura familiar, a saúde, a organização comunitária, a convivência e a cidadania.
Para o diretor Thomaz Pedro, acompanhar as cozinhas desde o início também foi uma forma de registrar a transformação da iniciativa ao longo dos anos.
“Acompanho as Cozinhas Solidárias desde o começo. Estive ali com uma câmera quando as primeiras experiências surgiram, durante a pandemia, e vi esse projeto crescer.”
Distribuição de impacto
Após o período de disponibilização online, o documentário seguirá para um circuito de distribuição de impacto.
A proposta é levar o filme para espaços e públicos relacionados aos temas abordados pela produção. Dessa forma, as sessões podem ser acompanhadas por encontros, debates e outras atividades.
Além disso, o filme também deverá participar de festivais de cinema.
Sobre o diretor
Thomaz Pedro é documentarista, diretor de fotografia, pesquisador e professor do curso de Cinema e Audiovisual da ESPM.
Graduado em Comunicação e Multimeios e mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, o diretor também concluiu doutorado na USP com pesquisa sobre produção audiovisual indígena no Alto Xingu.
Entre seus trabalhos estão os documentários “Tapajós Ameaçado”, “Osiba Kangamuke – Vamos lá, criançada”, “Terminal 3” e “Surara, a luta pela terra Tupinambá”.
Sinopse
Em diferentes regiões do Brasil, cinco pessoas têm suas vidas atravessadas pelas Cozinhas Solidárias.
Uma cozinheira acolhe pessoas em situação de rua. Uma faxineira encontra ali alimento e fé. Uma militante cozinha enquanto aguarda sua moradia. Um entregador utiliza o espaço para se alimentar e se organizar com outros trabalhadores. Já um agricultor familiar produz alimentos destinados às cozinhas.
A partir dessas histórias, o documentário mostra como preparar e compartilhar comida também pode criar vínculos e fortalecer relações dentro das comunidades.
Serviço
Vem Comer com a Gente – Cozinhas Solidárias
Direção: Thomaz Pedro
Duração: 70 minutos
Ano: 2026
Produção: Araípe
Realização: Ministério da Cultura e Instituto Nossa Jornada
Disponibilidade online: até 2 de outubro
Trailer: disponível no canal oficial da produção.
