Hopi Hari volta ao centro das atenções após novos relatos de acidentes na Montezum

Reportagem reúne relatos de lesões após o uso da montanha-russa; Ministério Público investiga o caso de Júlia Bossoni e pediu perícia na atração

A montanha-russa Montezum, do Hopi Hari, voltou ao centro das atenções nesta quarta-feira (23), após uma reportagem reunir relatos de visitantes que afirmam ter sofrido lesões depois de utilizar a atração.

O assunto ganhou força após o caso de Júlia Bossoni, de 28 anos. Em abril, a jovem sofreu um traumatismo cranioencefálico depois de andar na Montezum. O Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação e pediu uma perícia no brinquedo.

Além disso, um levantamento apresentado na reportagem encontrou ao menos 40 reclamações nos últimos dois anos. Os registros citam dores no pescoço, lesões nos joelhos e fraturas nas costelas.

Caso de Júlia levou investigação ao MP

Júlia Bossoni viajou de Londrina, no Paraná, para visitar o parque. Durante a segunda passagem pela Montezum, ela perdeu a consciência e apresentou convulsões.

Depois do episódio, médicos identificaram hemorragia intracraniana e edema cerebral. Júlia passou por sete cirurgias e ficou 57 dias internada em Vinhedo. Atualmente, segue em reabilitação e apresenta sequelas neurológicas, segundo relatos da família.

Segundo um laudo médico citado pela família, o trauma teria ocorrido por um mecanismo de contragolpe durante o passeio. A investigação ainda precisa avaliar as circunstâncias do episódio.

Ministério Público pediu perícia na Montezum

O Ministério Público de São Paulo solicitou novas diligências no caso.

Entre as medidas está uma perícia técnica no carrinho utilizado por Júlia e na estrutura da Montezum. O objetivo é analisar as condições da atração e verificar elementos que possam ajudar a esclarecer o acidente.

A investigação, portanto, ainda não concluiu se houve alguma falha no equipamento ou na operação.

Além disso, o MP precisa analisar outros elementos reunidos pela Polícia Civil antes de apresentar uma conclusão sobre o caso.

Outros relatos voltaram ao debate

A reportagem também recuperou episódios anteriores envolvendo a Montezum.

Em 2018, a professora Nathalia Assenjo Motta relatou um deslocamento de vértebras na região cervical após utilizar a atração. Segundo seu relato, ela precisou passar por cirurgia para colocar 12 pinos e duas hastes no pescoço.

Já em 2014, um homem identificado como Márcio ficou tetraplégico após andar na mesma montanha-russa. Segundo o advogado da família, laudos apontaram relação entre o quadro e um movimento de chicote sofrido durante o passeio. Márcio morreu em 2023 após complicações de uma infecção.

Esses episódios são anteriores à atual investigação sobre Júlia. Por isso, eles não comprovam, por si só, qualquer irregularidade na operação atual da atração.

Ao menos 40 reclamações aparecem em registros recentes

Além dos casos mais graves, a reportagem encontrou cerca de 40 reclamações registradas nos últimos dois anos por visitantes que relataram problemas após utilizar a Montezum.

Os relatos mencionam diferentes tipos de lesão. Entre eles estão dores no pescoço, problemas nos joelhos e costelas quebradas.

O levantamento, porém, reúne reclamações feitas em uma plataforma de consumidores. Assim, os registros não significam que todas as ocorrências tenham sido confirmadas por perícia ou por órgãos públicos.

Hopi Hari afirma seguir protocolos de segurança

O Hopi Hari afirma que a Montezum possui certificação internacional emitida pelo grupo TÜV Nord.

O parque também informa que realiza inspeções periódicas e segue a norma brasileira ABNT NBR 15926:2023, voltada para equipamentos de parques de diversão.

Além disso, a administração afirma que placas, avisos sonoros e orientações dos operadores informam os visitantes sobre as características e restrições da atração.

Segundo o parque, mais de 470 mil pessoas utilizaram a Montezum em 2026 até o momento mencionado pela empresa.

Parque cita parecer do Ministério Público

O Hopi Hari também citou um parecer do Ministério Público emitido em agosto de 2026, em outro procedimento.

Segundo a empresa, esse documento não identificou risco coletivo, defeito de projeto ou negligência na operação da Montezum. O parque usa esse parecer para defender que mantém protocolos de segurança e manutenção.

No entanto, o parecer citado pelo parque pertence a outro procedimento. Portanto, ele não encerra a investigação específica sobre o acidente envolvendo Júlia.

Caso também envolve questionamentos da família

Além da discussão sobre a atração, a família de Júlia questionou o suporte oferecido pelo parque após a alta hospitalar.

Segundo a defesa, o Hopi Hari deixou de custear parte das despesas depois do retorno da jovem a Londrina. O parque contesta essa versão e afirma que acompanhou o tratamento, custeou despesas durante a internação em Vinhedo e disponibilizou um seguro à família.

Na terça-feira (22), o parque informou ainda que voltaria a custear cuidados essenciais da jovem, com pagamentos retroativos à data da alta em Vinhedo.

Investigação ainda não definiu responsabilidades

O caso continua em apuração pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.

Por isso, os relatos de visitantes e as reclamações registradas não permitem afirmar, neste momento, que a Montezum tenha apresentado uma falha sistêmica.

Da mesma forma, a existência de uma investigação não representa uma conclusão sobre responsabilidade do parque ou de qualquer pessoa.

Enquanto isso, a perícia solicitada pelo Ministério Público pode trazer novos elementos para esclarecer o acidente envolvendo Júlia.

Fonte: Fantástico/TV Globo, com informações do Ministério Público de São Paulo e posicionamento do Hopi Hari.
Arte: editorial ilustrativa.

Artigo apoiado por:

Rolar para cima

Descubra mais sobre Portal Divulga SP

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo