Mensagens revelam preocupação com mau tempo antes da queda do helicóptero com Rick

Conversas entre copiloto, comandante e operador de aeroporto mostram que a tripulação recebeu alertas sobre a mudança do tempo antes do voo

Mensagens trocadas horas antes da queda do helicóptero que levava o cantor Rick mostram que a tripulação tinha informações sobre a piora do tempo na Serra de Santa Catarina.

As conversas envolveram o copiloto Leopoldo Barros Teixeira, o comandante Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e Juliano Luft, operador do aeroporto de Lages. O conteúdo foi divulgado pelo Fantástico, da TV Globo, e posteriormente publicado por veículos de imprensa.

Copiloto pediu informações sobre o tempo

A primeira conversa ocorreu pela manhã, antes da viagem.

Às 6h59, Leopoldo Teixeira entrou em contato com Juliano Luft. O copiloto pediu uma fotografia das condições meteorológicas em Lages, cidade onde o helicóptero faria uma parada para reabastecimento.

Às 7h52, o operador enviou a imagem. Naquele momento, as condições visuais em Lages eram consideradas boas.

No entanto, Luft também alertou sobre a mudança prevista para as horas seguintes. Na mensagem, escreveu: “Mais tarde chove. Quanto antes vir, melhor.”

Comandante também demonstrou preocupação

Pouco depois, o próprio comandante entrou em contato com o operador do aeroporto.

Segundo Juliano Luft, Antônio Nóbrega de Araújo afirmou que sabia que o tempo estava ruim na região de destino. Além disso, o piloto pediu novas fotos e um vídeo para acompanhar as condições meteorológicas em Lages.

A conversa ocorreu antes da decolagem do helicóptero. Por isso, os novos elementos passaram a fazer parte da apuração sobre as circunstâncias do acidente.

Defesa Civil havia emitido alerta

Na manhã do voo, a Defesa Civil de Santa Catarina já havia emitido um alerta de tempestade severa para a região de São Joaquim.

O aviso previa condições como granizo, vendaval e raios. Segundo o operador ouvido pelo Fantástico, a frente fria já havia alcançado Criciúma e avançava em direção à região do destino.

Além disso, especialistas em aviação destacaram que a Serra Catarinense apresenta mudanças rápidas nas condições meteorológicas.

Tempo pode mudar em poucos minutos

O piloto Alexandre Oenning, que conhece a região, explicou à Folha de S.Paulo que a combinação entre massas de ar do litoral e o ar frio em altitude pode provocar mudanças repentinas.

Segundo ele, o tempo pode fechar em cerca de dez minutos em determinadas condições. Além disso, ventos fortes e o relevo montanhoso aumentam os desafios para a navegação aérea.

A região também possui áreas de difícil acesso. Dessa forma, uma eventual emergência pode dificultar tanto a operação do voo quanto o trabalho das equipes de resgate.

Helicóptero decolou às 11h

Apesar dos alertas registrados durante a manhã, o helicóptero Bell 430, de prefixo PP-MGR, decolou de Porto Belo por volta das 11h.

O destino era São Joaquim, na Serra catarinense. A aeronave, porém, não chegou ao destino e caiu na região de Urubici.

Às 11h37, Juliano Luft tentou novo contato com a tripulação. Ele enviou uma mensagem para saber se os ocupantes já tinham uma previsão para passar por Lages e reabastecer.

Segundo o operador, a mensagem não foi recebida nem respondida.

Acidente matou cinco pessoas

A queda aconteceu na Serra de Santa Catarina e matou os cinco ocupantes da aeronave.

Além de Rick, estavam no helicóptero o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o comandante Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.

As equipes encontraram os destroços na manhã de terça-feira (22). Depois disso, as autoridades iniciaram os procedimentos de resgate e identificação das vítimas.

Investigação ainda apura causa da queda

As novas mensagens ajudam a reconstruir os momentos anteriores ao acidente. No entanto, elas não determinam, sozinhas, a causa da queda.

A investigação ainda precisa analisar outros elementos. Entre eles estão os destroços, os dados do voo e as condições meteorológicas no trajeto.

Além disso, a Polícia Científica utiliza drones e um scanner tridimensional para reconstruir a dinâmica da queda. A tecnologia permite analisar a posição dos destroços e os vestígios encontrados na mata.

Mensagens entram na apuração do acidente

A divulgação das conversas acrescenta novos detalhes à investigação sobre a morte de Rick e das outras quatro pessoas.

Por enquanto, não há uma conclusão oficial de que o mau tempo tenha sido a causa do acidente. As mensagens mostram que a tripulação recebeu informações sobre a previsão e que os profissionais discutiram as condições meteorológicas antes do voo.

Assim, a definição das causas dependerá da análise conjunta de todas as evidências reunidas pelas autoridades.

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Fontes: UOL/Agência Estado | Folha de S.Paulo | Fantástico/TV Globo.
Arte: editorial ilustrativa.

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