Espetáculo inspirado na dramaturgia de Grace Passô combina teatro, música ao vivo, dança e projeções; apresentações têm entrada gratuita
Uma família confinada em uma casa onde faltam dinheiro, espaço e diálogo é o ponto de partida de “Amores Surdos: O Balde de Lama e o (Ch)amado Silêncio”, adaptação do Coletivo Êxodo para a dramaturgia de Grace Passô. A montagem será apresentada nos dias 6, 7 e 8 de novembro de 2026, na Casa Farofa – Sala Teatro da Vertigem, em São Paulo, com entrada gratuita.
Dirigido e adaptado por Luize, com orientação de Pedro Haddad, o espetáculo parte do texto escrito por Grace Passô em 2006 e investiga as relações familiares, os silêncios e as diferentes formas encontradas pelos personagens para lidar com os conflitos dentro de casa.
A montagem reúne quatro atores e dois músicos em cena e combina teatro, música original executada ao vivo, dança, partituras corporais e projeções. Em determinados momentos, os intérpretes também deixam os personagens para conversar diretamente com o público, criando uma relação entre a narrativa e o processo de criação do espetáculo.
Uma família marcada pelo silêncio
A família central é formada pela mãe, Joaquim, o Pequeno e Graziele. O quarto filho está ausente e mantém contato por telefone. Cada personagem encontra uma maneira própria de evitar os conflitos que atravessam a casa.
Joaquim assume responsabilidades que ultrapassam seu lugar de filho, enquanto o Pequeno se recusa a crescer. Graziele encontra na música uma forma de se afastar do que acontece ao redor, e a mãe tenta manter sozinha uma estrutura familiar marcada por ausências e segredos.
A situação financeira também ocupa um papel importante na montagem. Caixas espalhadas pelo cenário sugerem a possibilidade de despejo, enquanto objetos domésticos pendurados ajudam a construir a imagem de uma casa que parece estar sempre prestes a desmoronar.
A cenografia de Gustavo Feitosa reúne ainda uma porta vermelha, quadros vazios, panelas e caixas, criando um ambiente que acompanha as tensões presentes na história.
Música e presença dos vizinhos
Uma das características da adaptação é a ampliação da presença dos vizinhos, que no texto original permanecem fora de cena. Na montagem do Coletivo Êxodo, dois músicos ocupam outro espaço do palco e também assumem a função de personagens.
Associados a uma família de perfil elitista e conservador, os vizinhos observam e comentam a rotina da família protagonista. A relação também é construída por meio do som, já que a música produzida por eles atravessa o espaço onde vivem os personagens.
A trilha sonora original foi composta por Caos Nicioli e executada ao vivo por Caos e Caetano Nicioli. A composição combina referências da música erudita com músicas e ritmos populares, acompanhando as ações e ajudando a construir diferentes atmosferas ao longo da narrativa.
Uma adaptação entre realidade e absurdo
A montagem mantém a estrutura fundamental da dramaturgia de Grace Passô, mas incorpora cenas e situações desenvolvidas pelo próprio coletivo a partir das rubricas e dos conflitos identificados no texto.
O espetáculo também preserva o absurdo presente na obra original. Um dos elementos é o hipopótamo mencionado na dramaturgia, tratado pelo grupo como uma imagem aberta a diferentes interpretações. O animal pode ser entendido literalmente ou como representação de algo que a família tenta esconder e que cresce até não poder mais ser ignorado.
Outro recurso utilizado pela montagem é a alternância entre personagem e intérprete. Os atores podem interromper a ficção para se apresentar, receber o público ou comentar acontecimentos antes de retornar à narrativa.
Coletivo Êxodo
Criado no segundo semestre de 2025, o Coletivo Êxodo reúne estudantes de diferentes regiões do Brasil e de São Paulo que se encontraram no curso de Artes Cênicas da UNESP.
O grupo surgiu a partir do interesse em experimentar o fazer teatral de maneira coletiva e horizontal, permitindo que seus integrantes ocupem diferentes funções artísticas e técnicas ainda durante a graduação.
“Amores Surdos: O Balde de Lama e o (Ch)amado Silêncio” inaugura essa pesquisa, articulando formação acadêmica, experimentação de linguagem e criação teatral.
A apresentação na Casa Farofa integra um projeto de extensão universitária contemplado em edital da UNESP e amplia a circulação da produção desenvolvida no ambiente universitário.
Serviço
Amores Surdos: O Balde de Lama e o (Ch)amado Silêncio
Data: 6, 7 e 8 de novembro de 2026
Horário: sexta a domingo, às 19h
Local: Casa Farofa – Sala Teatro da Vertigem
Endereço: Rua Treze de Maio, 240 – 1º andar – São Paulo (SP)
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Entrada: gratuita, com ingressos via Sympla
Ficha técnica
Direção e adaptação: Luize
Assistente de direção e iluminação: Dafne Ohana
Elenco: Débora Oliveira, Pedro Urbano, Lorena Rodrigues e Helena Bechara Nacarato
Músicos: Caos Nicioli e Caetano Nicioli
Composição musical: Caos Nicioli
Produção fonográfica: Adelmo Henrique
Cenografia: Gustavo Feitosa
Produção: Annaís Ballaminut
Coreografia: Giovanna Gomes
Assistente de coreografia: Maria Vintana
Figurino: Anna Madrid
Confecção de figurino: Rafaela Aventurato
Orientação: Pedro Haddad
Provocação vocal: Sofia Vilasboas Slomp
Fotos: Luísa Gastaldi e Thaina Tibana
Divulgação: Lorena Rodrigues e Helena Bechara
Designers: Luiza Latorre e David Horeglad
