“Do Cavalo Nada Sabemos” estreia em São Paulo após temporada no Festival de Avignon

Espetáculo protagonizado por João Paulo Lorenzon investiga violência, culpa e relação entre humanos e animais; temporada acontece no Sesc Ipiranga até 11 de outubro

Depois de integrar a programação do Festival de Avignon, na França, em julho de 2026, o espetáculo “Do Cavalo Nada Sabemos” chega a São Paulo para uma temporada no Teatro Mínimo do Sesc Ipiranga. A montagem, protagonizada por João Paulo Lorenzon, será apresentada de 18 de setembro a 11 de outubro, com sessões às sextas-feiras, às 21h, e aos sábados e domingos, às 18h30.

A passagem pelo festival francês marcou a trajetória de Lorenzon. Na mesma edição, o ator, diretor e dramaturgo protagonizou “Do Cavalo Nada Sabemos” e dirigiu “Nunca se tem tanta força como quando não se tem força nenhuma”, com Julia Setubal, inspirado no universo da dramaturga britânica Sarah Kane. Em 2016, o artista já havia participado do Festival de Avignon com “Nijinsky – Minha Loucura é o Amor da Humanidade”.

De Nietzsche à relação entre humanos e animais

A dramaturgia de “Do Cavalo Nada Sabemos” parte de um episódio envolvendo Friedrich Nietzsche ocorrido em 3 de janeiro de 1889, em Turim, na Itália. Segundo o relato que inspira a peça, o filósofo teria presenciado um cocheiro espancando um cavalo, aproximando-se do animal para protegê-lo e, posteriormente, sofrendo um colapso mental.

A partir dessa imagem, a montagem investiga temas como violência, culpa, reparação e a relação estabelecida entre seres humanos e outras formas de vida.

O espetáculo também propõe uma reflexão sobre a separação entre natureza e cultura e amplia o episódio histórico para questões relacionadas ao Antropoceno, conceito utilizado para discutir o impacto das atividades humanas sobre o planeta, e à ansiedade diante das mudanças ambientais.

A construção da dramaturgia contou com a colaboração da psicanalista Renata Zambonelli. A proposta, segundo a equipe, é relacionar o episódio de Nietzsche a sentimentos contemporâneos de impotência e às dificuldades de imaginar outras formas de convivência entre humanos e não humanos.

Referências filosóficas e artísticas

O processo de criação incorporou referências como “O Cavalo de Turim”, filme dirigido por Béla Tarr, e “Eo”, de Jerzy Skolimowski. A dramaturgia também dialoga com o conceito de “homem do subsolo”, personagem da obra de Fiódor Dostoiévski.

Entre as principais referências teóricas está o pensamento da bióloga e filósofa Donna Haraway, cuja produção aborda as relações entre humanos e não humanos e diferentes formas de coexistência em um planeta marcado pela ação humana.

Essa pesquisa também se manifesta na cenografia. Criado por Dominic Kiessling, o principal objeto de cena é uma estrutura inflável e amorfa, concebida a partir de formas orgânicas e que estabelece uma relação física entre o corpo do ator e o espaço.

Um corpo dividido em cena

A montagem trabalha com o que João Paulo Lorenzon chama de “corpo cindido”. A ideia aparece na própria fisicalidade da atuação, na qual diferentes partes do corpo parecem assumir forças conflitantes.

O procedimento busca materializar a violência e seus efeitos sobre quem a pratica e sobre quem tenta interrompê-la. A dramaturgia também evita apresentar uma imagem única e literal do cavalo, deixando espaço para que cada espectador construa suas próprias associações.

A direção é assinada por Denise Stoklos e Alessandra Maestrini. O trabalho reúne a pesquisa corporal associada ao Teatro Essencial de Stoklos e a investigação vocal e interpretativa de Maestrini.

Para Lorenzon, a atuação e a direção fazem parte de um mesmo processo de criação. O espetáculo é resultado de três décadas de trajetória do artista no teatro e de uma pesquisa que relaciona corpo, memória, filosofia e presença cênica.

Temporada em São Paulo

“Do Cavalo Nada Sabemos” será apresentado no Sesc Ipiranga até 11 de outubro. A temporada não terá sessão no dia 4 de outubro e contará com uma sessão extra no dia 1º de outubro, quinta-feira, às 21h.

O espetáculo tem duração de 50 minutos e classificação indicativa de 16 anos.

Serviço

“Do Cavalo Nada Sabemos”

Temporada: 18 de setembro a 11 de outubro de 2026
Sessões: sextas-feiras, às 21h; sábados e domingos, às 18h
Sessão extra: 1º de outubro, quinta-feira, às 21h
Não haverá sessão: 4 de outubro
Local: Sesc Ipiranga – Auditório
Endereço: Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga – São Paulo/SP
Duração: 50 minutos
Classificação: 16 anos
Ingressos: R$ 15, R$ 25 e R$ 50
Vendas: App Credencial Sesc SP, portal Sesc SP ou presencialmente nas unidades do Sesc
Telefone: (11) 3340-2000

Ficha técnica

Concepção, dramaturgia e atuação: João Paulo Lorenzon
Inspirado na obra e vida de: Friedrich Nietzsche
Direção: Denise Stoklos e Alessandra Maestrini
Codramaturgia: Renata Zambonelli
Desenho de luz: Wagner Freire
Objeto cenográfico: Dominic Kiessling
Figurino: Leandro Castro
Preparação contínua do ator: Isabel Setti
Preparação corporal: Toshiko Oiwa
Provocação corporal: Lu Favoreto
Preparação circense: Kiko Caldas
Direção de movimento de chicote: Karina Bredariol
Preparação física: Leandro Marques
Integração estrutural: Fábio Sayão
Fotografia, foto do cartaz e vídeo: Maurizio Mancioli
Fotos de divulgação: Priscila Prade
Identidade visual: Kelly Vaneli
Direção de produção: Deco Gedeon
Assessoria de imprensa: Vira Comunicação
Produção: Companhia Espaço Mágico
Realização: Sesc São Paulo

Artigo apoiado por:

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