Sesc Pinheiros recebe monólogo inspirado no livro “A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão”

Espetáculo estrelado por Johnny Massaro transforma reflexões sobre amor, relações e solidão em uma visita guiada ao coração humano

O Sesc Pinheiros recebe a temporada de “A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão”, espetáculo idealizado e interpretado por Johnny Massaro a partir do livro homônimo da psicanalista e escritora Ana Suy. A montagem tem dramaturgia de Júlia Portes, direção de Helena Varvaki e produção artística de Pablo Sanábio.

Com apresentações em outubro, o espetáculo ocupa o Auditório do Sesc Pinheiros até 31 de outubro. A montagem transforma as reflexões do livro, que já vendeu mais de 500 mil exemplares, em uma experiência teatral que combina humor, intimidade e questões sobre as relações humanas.

Uma visita guiada ao coração humano

Na peça, um guia turístico convida o público para uma visita ao coração humano. Entre a expectativa pelo encontro com uma pessoa amada e a elaboração de um término, o personagem conduz os espectadores por um percurso que mistura situações cotidianas, reflexões sobre o amor e a experiência inevitável da solidão.

A ideia surgiu a partir da relação de Johnny Massaro com o livro de Ana Suy. O ator conta que conheceu a obra durante um momento desafiador de um relacionamento e decidiu transformá-la em espetáculo.

“Eu me via falhando e repetindo os mesmos erros de relação em relação, geralmente culpando o outro pela falta de consciência dos meus próprios padrões e desejos. Estava cansado e curioso. A consciência de que eu precisava aprender de alguma forma aquelas informações do livro foi muito intensa e pareceu inevitável levá-lo ao palco”, relata.

O projeto também nasceu de uma coincidência entre Massaro e Pablo Sanábio, que já estava lendo a mesma obra quando recebeu o convite para participar da adaptação.

Da psicanálise para o palco

A adaptação partiu de um desafio: o livro de Ana Suy é uma obra de psicanálise e não apresenta uma narrativa tradicional com personagens e ação dramática.

A dramaturga Júlia Portes encontrou na figura de um guia turístico o ponto de partida para construir a dramaturgia. O personagem apresenta um lugar que, apesar de parecer conhecer, também está descobrindo — uma metáfora para a própria experiência amorosa.

“Um guia que não conhece muito bem o lugar que está apresentando, no entanto quer que as pessoas acreditem que ele domina o que está falando. No amor, também é assim: a gente se apaixona e tenta parecer no controle, mas, na verdade, não estamos”, explica Júlia.

A dramaturgia estabelece uma relação entre o percurso do guia e os conceitos presentes na obra de Ana Suy, aproximando reflexões sobre relacionamentos amorosos, vínculos e solidão de uma experiência ficcional.

Coração vira elemento da encenação

Na direção de Helena Varvaki, o coração aparece fisicamente em cena e assume diferentes funções. O objeto pode ser apresentado como instrumento de compreensão anatômica, revelando câmaras e passagens, mas também como elemento plástico capaz de transformar conceitos ligados à biologia em imagens poéticas.

A encenação também aposta na proximidade entre ator e público. O personagem conduz os espectadores pela experiência enquanto, ao mesmo tempo, também é transformado pelo encontro com quem está na plateia.

Para a diretora, a proposta parte da escuta e da possibilidade de repensar experiências pessoais enquanto elas são narradas.

A montagem marca ainda o primeiro monólogo de Johnny Massaro em 22 anos de carreira.

Amor, amizade e solidão

A peça parte da ideia de que a solidão não está necessariamente em oposição ao amor. Pelo contrário, as duas experiências aparecem relacionadas ao longo do percurso conduzido pelo personagem.

A montagem também amplia a discussão para outros tipos de vínculo. A partir das reflexões do livro, o espetáculo aborda relações que vão além das parcerias românticas, incluindo os laços de amizade.

Para Massaro, o teatro e as relações construídas ao longo da vida também fazem parte dessa reflexão. “Nada nos livra da solidão, mas certas coisas, como os amigos e o teatro, nos lembram que não estamos sempre tão sozinhos”, afirma.

Ficha técnica

Idealização e atuação: Johnny Massaro
Inspirado na obra de Ana Suy
Produção artística: Pablo Sanábio
Direção: Helena Varvaki
Dramaturgia: Júlia Portes
Cenografia: Aurora dos Campos
Iluminação: Nina Balbi
Figurino: Sasha Meneghel
Trilha sonora: Frederico Santiago e Pedro Sodré
Preparação corporal e coreografias: Esther Weitsman
Programação visual: Ton Zaransa

Serviço

“A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão”

Local: Sesc Pinheiros – Auditório
Endereço: Rua Paes Leme, 195 – Pinheiros – São Paulo, SP

Temporada: até 31 de outubro de 2026

Horários: quinta a sábado, às 20h30

Sessões extras em outubro: dias 9, 16, 17, 24 e 30, às 16h

Ingressos: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia-entrada) e R$ 15 (credencial plena)

Vendas: site do Sesc SP e bilheterias das unidades

Duração: 60 minutos
Classificação: 12 anos
Acessibilidade: Auditório acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

Artigo apoiado por:

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