“E se fosse uma bomba?” apresenta a trajetória de Anésia Pinheiro Machado e aborda, de forma lúdica, os desafios enfrentados por mulheres em áreas historicamente dominadas por homens
O Teatro João Caetano, na Vila Clementino, recebe a temporada de “E se fosse uma bomba?”, espetáculo infantojuvenil que resgata a história de mulheres que desafiaram barreiras em áreas como a ciência e a aviação. A montagem tem dramaturgia de Sofia Fransolin, direção de Rhena de Faria e atuação de Diego Chilio, Luiza Moreira Salles e Zenaide.
A peça integra a trilogia “Estrelas, Bombas e Garotas”, idealizada por Luiza Moreira Salles para levar aos palcos histórias de mulheres que enfrentaram os limites impostos às suas épocas. A temporada segue até 11 de outubro, com apresentações gratuitas no Teatro João Caetano.
Espetáculo apresenta a história de Anésia Pinheiro Machado
A montagem acompanha Anésia Pinheiro Machado (1904–1999), uma das pioneiras da aviação brasileira. Na década de 1920, ela enfrentou as convenções sociais para seguir a carreira de piloto e, em meio a guerras e revoluções, defendeu o uso pacífico da aviação.
A pesquisa também recupera a trajetória de Thereza de Marzo, também grafada como Teresa Di Marzo, primeira mulher a conquistar o brevê de piloto no Brasil. Sua carreira foi interrompida após o casamento, evidenciando alguns dos obstáculos enfrentados pelas mulheres que buscavam espaço na aviação.
Na narrativa, Anésia é apresentada desde a juventude até o momento em que decide explorar os céus. A história aborda situações de sua infância e adolescência, criando uma aproximação entre a trajetória da personagem e experiências que fazem parte do universo do público infantil.
“Algumas cenas foram pensadas para estabelecer uma conexão direta com as crianças, como a passagem em que Anésia sofre bullying na escola ou vive a experiência da primeira menstruação. São situações que ajudam a criar uma ponte entre a infância dela e a de quem está na plateia”, afirma Luiza Moreira Salles.
Teatro de sombras e cenário transformável
A montagem utiliza diferentes recursos cênicos para contar a história de Anésia. O teatro de sombras, presente em outros trabalhos da trilogia, volta a ocupar espaço na narrativa. Para desenvolver essa linguagem, a equipe realizou uma oficina com a Cia. Quase Cinema, de Taubaté (SP), especializada na técnica.
O cenário, criado por Marisa Bentivegna, é formado inteiramente por escadas. Ao longo da apresentação, as estruturas podem se transformar em diferentes elementos, como cama, porta, carteira de escola e avião.
A proposta permite que os objetos sejam ressignificados durante a narrativa e estimula a imaginação do público.
A trilha sonora original é assinada por Ernani Sanchez e tem inspiração na música minimalista de compositores como Philip Glass e Meredith Monk. A composição combina trechos instrumentais com vozes exclusivamente femininas.
Uma viagem pela história da aviação
Em cena, Diego Chilio, Luiza Moreira Salles e Zenaide interpretam diferentes personagens. Como comissários de bordo dos dias atuais, os atores conduzem o público em uma viagem ao passado para conhecer a trajetória de Anésia.
Ao longo da peça, aparecem personagens como Santos Dumont, Thereza de Marzo, os pais da aviadora e outras figuras criadas para aproximar a história do universo infantil.
Para a diretora Rhena de Faria, um dos desafios da montagem foi construir uma linguagem que pudesse dialogar simultaneamente com crianças e adultos.
“O teatro para as infâncias também precisa interessar aos adultos que acompanham essas crianças e nunca pode subestimar a inteligência do público”, comenta.
Trilogia “Estrelas, Bombas e Garotas”
“E se fosse uma bomba?” é o segundo espetáculo da trilogia “Estrelas, Bombas e Garotas”. O projeto nasceu da pesquisa de Luiza Moreira Salles sobre mulheres que desafiaram limites impostos em diferentes períodos históricos.
O primeiro trabalho da série foi “Do que são feitas as estrelas?”, inspirado na trajetória da astrônoma Cecilia Payne. O terceiro espetáculo da trilogia ainda está em desenvolvimento e manterá a parceria entre Luiza Moreira Salles e a dramaturga Sofia Fransolin.
A montagem atual foi contemplada pela 20ª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.
Sinopse
“E se fosse uma bomba?” narra a história de uma das pioneiras da aviação brasileira, Anésia Pinheiro Machado, que decidiu explorar os céus na década de 1920. Com ludicidade e elementos de fantasia, o espetáculo acompanha as aventuras de uma jovem que enfrentou as convenções de seu tempo para se tornar aviadora e que, em meio a guerras e revoluções, defendeu o uso pacífico da aviação.
Serviço
“E se fosse uma bomba?”
Local: Teatro João Caetano
Endereço: Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino, São Paulo – SP
Próximas apresentações
3 de outubro, às 16h
9 de outubro, às 14h30
10 de outubro, às 16h
11 de outubro, às 16h
Entrada: gratuita
Atenção: não haverá apresentação no dia 4 de outubro devido à realização das eleições.
Ficha técnica
Idealização: Luiza Moreira Salles
Direção: Rhena de Faria
Elenco: Diego Chilio, Luiza Moreira Salles e Zenaide
Dramaturgia: Sofia Fransolin
Cenário: Marisa Bentivegna
Trilha sonora: Ernani Sanchez
Vocais: Carol Bahiense
Figurino: Victor Paula
Direção de movimento: Flora Barros
Iluminação: Danielle Meireles
Assessoria de teatro de sombras: Cia. Quase Cinema
Fotos: Fábio M. Salles
Assessoria de imprensa: Canal Aberto Comunicação
Coordenação geral: Luiza Moreira Salles
Direção de produção: Iza Marie Miceli
