Cia. Extemporânea estreia versão drag de “Macbeth” no Sesc Pompeia após sucesso de “Rei Lear”

Espetáculo dirigido por Ines Bushatsky e com adaptação de João Mostazo integra o projeto Shakespeare in Drag e fica em cartaz de 22 de outubro a 15 de novembro

Uma das tragédias mais conhecidas de William Shakespeare ganha uma nova interpretação nos palcos de São Paulo. A Cia. Extemporânea estreia sua versão drag de Macbeth no Sesc Pompeia, com temporada de 22 de outubro a 15 de novembro. A montagem tem direção e idealização de Ines Bushatsky e texto e codireção de João Mostazo.

O espetáculo é o segundo trabalho do projeto Shakespeare in Drag, iniciado pela companhia em 2024 com Rei Lear. A primeira montagem foi assistida por mais de 10 mil pessoas em diferentes cidades brasileiras e rendeu a Alexia Twister o Prêmio Shell de Melhor Ator em 2025.

Além de Alexia Twister, o elenco de Macbeth reúne Antonia Pethit, DaCota Monteiro, Ginger Moon, Lilith Prexeva, Maldita Hammer, Mercedez Vulcão, Thelores e Xaniqua Laquisha, artistas que também participaram do primeiro espetáculo do projeto.

Uma tragédia sobre ambição, culpa e poder

Na trama, o general Macbeth retorna da guerra e encontra três bruxas que profetizam que ele se tornará rei da Escócia. Influenciados pela previsão, ele e sua esposa, Lady Macbeth, planejam assassinar o rei Duncan e tomar o trono.

O crime, porém, desencadeia uma sequência de culpa, paranoia e desconfiança. À medida que Macbeth teme perder a coroa, sua ambição se transforma em tirania, mergulhando o reino em uma espiral de violência e opressão.

Para João Mostazo, a complexidade da obra está justamente nas camadas de significado que atravessam as falas e as ações dos personagens. O dramaturgo destaca que, embora a trama seja relativamente simples, sentimentos como medo, traição, paranoia e ambição são explorados com grande profundidade.

Shakespeare sob a perspectiva drag

A montagem propõe uma releitura do clássico a partir da linguagem drag queen, colocando em questão as representações tradicionais de gênero e as convenções do teatro.

Segundo a diretora Ines Bushatsky, a ideia de trabalhar Shakespeare com um elenco formado inteiramente por drag queens surgiu em 2017, durante os ensaios de A demência dos touros, espetáculo que já explorava cenas inspiradas em Hamlet.

Para Bushatsky, a presença drag amplia as possibilidades de interpretação dos personagens e cria ambiguidades relacionadas à identidade, à performance e às expectativas de gênero.

A adaptação também busca aproximar a obra do público brasileiro. Em vez de priorizar a fidelidade literal ao texto original, a proposta considera os efeitos provocados pela linguagem e incorpora referências a versos e expressões da cultura e da literatura brasileiras.

A iniciativa mantém a linha de pesquisa do projeto Shakespeare in Drag, que combina escolhas estéticas e políticas do universo LGBTQIAPN+ com os conflitos presentes na dramaturgia shakespeariana.

Trajetória da Cia. Extemporânea

Fundada em 2016 e dirigida por Ines Bushatsky e João Mostazo, a Cia. Extemporânea desenvolve trabalhos que exploram as relações entre comédia e violência, com dramaturgia autoral e temas de relevância política e social.

Ao longo de sua trajetória, o grupo criou espetáculos como A demência dos touros, Roda morta: uma farsa psicótica, B de Beatriz Silveira, O mistério cinematográfico de Sendras Berloni, Dr. Anti e A gente te liga, Laura, além de produções audiovisuais.

O projeto Shakespeare in Drag começou a ser desenvolvido em 2023, após a companhia ser contemplada pelo Prêmio Zé Renato. A estreia de Rei Lear, em 2024, marcou o início da iniciativa, que agora ganha continuidade com Macbeth.

Em 2026, a companhia também lançou o livro Caos e repetição: 10 anos da Cia. Extemporânea, que reúne textos de mais de 30 autores sobre os trabalhos do grupo, além de fotografias, críticas e registros de suas produções.

Serviço

Macbeth, com a Cia. Extemporânea

  • Temporada: de 22 de outubro a 15 de novembro de 2026
  • Local: Sesc Pompeia
  • Endereço: Rua Clélia, 93, Água Branca, São Paulo
  • Horários: quintas-feiras e sábados, às 20h; sextas-feiras, às 16h e às 20h; domingos, às 18h
  • Exceções: não haverá sessão em 25 de outubro. Haverá sessão extra em 11 de novembro, às 20h.
  • Ingressos: R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia-entrada) e R$ 18 (credencial plena)
  • Onde comprar: sescsp.org.br ou nas bilheterias das unidades do Sesc São Paulo
  • Classificação indicativa: 14 anos
  • Duração: 105 minutos
  • Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Haverá interpretação em Libras nas sessões de 23 e 30 de outubro e 6 e 13 de novembro, às 20h.

Observação: as datas do serviço foram ajustadas para 2026, considerando o anúncio da estreia em 22 de outubro e a temporada de 22 de outubro a 15 de novembro. Vale confirmar a programação e as sessões especiais nos canais oficiais do Sesc Pompeia antes da publicação.

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