Apoiadores de Flávio Bolsonaro levam míssil inflável à Paulista com mensagem que pede ataque nuclear ao Brasil

Um grupo de apoiadores do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) levou um míssil inflável gigante à Avenida Paulista, em São Paulo, durante um ato de campanha realizado no domingo (18). O objeto exibia a frase em inglês “Trump nuke Brazil”, que pode ser traduzida como “Trump, ataque o Brasil com armas nucleares”.

A manifestação, realizada a uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, reuniu milhares de apoiadores do senador. Segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da organização More in Common, o público chegou a 71,9 mil pessoas no momento de maior concentração.

A presença do objeto chamou atenção nas redes sociais e gerou críticas pelo conteúdo da mensagem. As reportagens sobre o episódio não atribuíram formalmente o míssil à organização oficial do evento nem identificaram publicamente os responsáveis por levá-lo à avenida.

Míssil inflável chamou atenção durante ato na Paulista

O objeto foi exibido por um grupo de manifestantes durante a mobilização em apoio a Flávio Bolsonaro. A frase estampada no míssil fazia referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pedia um ataque nuclear contra o Brasil.

Imagens do objeto circularam nas redes sociais após o ato. A mensagem provocou reações e questionamentos sobre a presença de manifestações favoráveis a uma intervenção militar estrangeira durante um evento político brasileiro.

Até o momento, as informações divulgadas não demonstram que o objeto tenha sido uma iniciativa oficial da campanha de Flávio. A presença de apoiadores com a mensagem, portanto, não permite atribuir automaticamente essa posição ao candidato ou a todos os participantes da manifestação.

Ato reuniu 71,9 mil pessoas no pico

O evento ocorreu no domingo (18), na Avenida Paulista, região central de São Paulo. A mobilização foi convocada por aliados de Flávio Bolsonaro e ficou conhecida como “Bloco do 22” ou “Bloquinho do 22”.

A estimativa de 71,9 mil pessoas foi divulgada pelo Monitor do Debate Político, ligado ao Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e à Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a organização More in Common.

A contagem utilizou imagens aéreas captadas por drone, analisadas com o auxílio de um programa de inteligência artificial. A metodologia tem margem de erro de 12%, o que situa a estimativa entre 63,3 mil e 80,5 mil participantes no horário de pico, registrado às 12h20.

A manifestação ocupou trechos da avenida e ruas próximas. A concentração de pessoas também levou ao fechamento temporário de acessos à estação Trianon-Masp do Metrô, durante a dispersão do público.

Flávio Bolsonaro participou do evento antes de debate presidencial

Flávio chegou à Avenida Paulista por volta das 11h15 e fez um discurso breve para os apoiadores. O candidato afirmou que o Brasil estava “sem presidente” e convocou o público a acompanhar o debate presidencial transmitido pela Band naquela noite.

O evento também contou com a presença de aliados políticos, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), apontado como um dos organizadores da mobilização.

A manifestação ocorreu sete dias antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Na ocasião, Flávio disputa a Presidência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mensagem gera debate sobre os limites da manifestação política

O episódio do míssil inflável ampliou a discussão sobre as mensagens exibidas em atos de campanha e a responsabilidade de organizadores diante de manifestações de grupos específicos.

A frase em inglês faz referência a uma ação militar contra o próprio território brasileiro. Por isso, a exibição do objeto foi questionada por pessoas que consideraram a mensagem uma defesa de violência contra o país.

Por outro lado, a identificação dos responsáveis pelo objeto e a eventual relação deles com a organização oficial do evento não foram esclarecidas nas reportagens consultadas. Essa distinção é importante para evitar que a atitude de um grupo seja atribuída, sem evidências, a todos os participantes ou à campanha como um todo.

O caso ocorreu em meio à disputa eleitoral e à circulação de conteúdos políticos nas redes sociais. A repercussão da imagem tornou o episódio um dos assuntos associados à manifestação realizada na Avenida Paulista.

Fontes: g1 — relato sobre o míssil inflável e a manifestação; Folha de S.Paulo — público e ato na Paulista; SBT News — estimativa de público.

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