Debate da Globo coloca estratégias de Lula e Flávio Bolsonaro à prova antes da eleição

A dois dias do segundo turno presidencial, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) voltam a ficar frente a frente na televisão. O debate promovido pela TV Globo nesta sexta-feira (23) será a última oportunidade de confronto direto entre os candidatos antes da votação de domingo (25).

As equipes chegam ao encontro com avaliações diferentes sobre o desempenho na Band, no último domingo (18). No entorno de Flávio, a prioridade é apresentar propostas com mais clareza e evitar que o tom dos ataques aumente sua rejeição. Já os aliados de Lula querem impedir que provocações desviem o presidente dos temas que pretende discutir.

A preocupação com o resultado do confronto ocorre em meio a uma disputa apertada. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22) registrou 50% dos votos válidos para cada candidato, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Campanha de Flávio reforça preparação e foco em propostas

A equipe do candidato do PL reservou mais tempo para a preparação em comparação com o debate anterior. Flávio passou os dias que antecederam o programa sem compromissos públicos, dedicando-se à revisão de argumentos e ao treinamento.

A avaliação de aliados é que a participação na Band teve momentos favoráveis ao senador, mas deixou espaço para críticas à forma como conduziu o confronto. O objetivo agora é reduzir a ênfase nas provocações e demonstrar maior domínio dos assuntos discutidos.

Segurança pública e economia estão entre os temas que devem receber atenção. A campanha pretende associar essas áreas a problemas cotidianos, como os roubos de celulares e a dificuldade de equilibrar as despesas familiares.

O formato da Globo também exige respostas mais desenvolvidas. Com rodadas sobre temas regionais e nacionais, o candidato precisará apresentar argumentos para além das críticas ao governo federal.

Lula prepara respostas para evitar desvios de assunto

Na equipe do presidente, a preparação se concentra na condução das respostas e na manutenção do foco durante o embate. Integrantes da campanha avaliam que, no debate anterior, Lula perdeu a concentração em alguns momentos diante de provocações feitas pelo adversário e de situações envolvendo pessoas presentes na plateia.

Entre os episódios citados pelos aliados estão a presença do senador Sergio Moro (PL-PR) e de Deltan Dallagnol (Novo-PR), que compareceu ao encontro usando uma camiseta com referência à prisão e à soltura do presidente. A campanha também apontou o comportamento de Flávio durante as falas do petista como um fator de distração.

Para o novo encontro, Lula passou por uma preparação com integrantes da equipe política e da comunicação do governo. A intenção é fortalecer argumentos sobre as ações da gestão, organizar respostas para os temas previstos e evitar que discussões pessoais tomem o lugar das propostas.

O presidente também deve abordar temas já presentes na disputa, como economia, programas sociais e questionamentos sobre o adversário. A orientação relatada por aliados é administrar melhor o tempo e responder às críticas sem perder o fio da argumentação.

Regras do debate mudam a dinâmica no palco

Além da preparação dos candidatos, as regras da emissora alteram um dos elementos que marcaram o encontro anterior: a movimentação pelo cenário.

O programa terá quatro blocos de perguntas e respostas, seguidos pelas considerações finais. O primeiro contará com rodadas relacionadas às regiões brasileiras e a um tema nacional prioritário. Nos dois blocos seguintes, os candidatos poderão escolher entre assuntos apresentados no telão. O último será de tema livre.

Nos três primeiros blocos, somente o candidato que estiver falando poderá circular pelo cenário. O adversário deverá permanecer em seu púlpito até chegar a sua vez. No bloco de tema livre, cada um poderá se movimentar pelo próprio lado do palco.

A restrição foi incluída a pedido da campanha de Lula depois que Flávio ficou atrás do presidente durante uma fala no debate da Band. A movimentação havia provocado reclamações dos aliados do petista.

A emissora também prevê checagem de declarações durante a transmissão, mas as verificações serão publicadas no Fato ou Fake, do g1, e não exibidas em tempo real na televisão. A Folha e a Agência Lupa também farão verificações em seus canais.

Eleitores encontram candidatos em disputa acirrada

O resultado do Datafolha divulgado na quinta-feira reforçou o cenário de equilíbrio na reta final. No levantamento, os dois candidatos apareceram com metade dos votos válidos cada um.

O empate técnico não significa que a eleição esteja definida ou que os candidatos tenham exatamente o mesmo apoio. A pesquisa é uma estimativa baseada nas respostas dos entrevistados, sujeita à margem de erro e às condições da coleta.

Nesse contexto, o debate pode oferecer aos eleitores uma nova oportunidade de comparar os argumentos e as propostas apresentadas por cada candidatura. Para as equipes, o desafio é transmitir suas mensagens sem permitir que o confronto seja dominado por ataques pessoais.

Horário e transmissão

O debate será realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação do jornalista César Tralli. A transmissão começa às 21h20, logo após o Jornal Nacional, pela TV Globo.

O encontro também poderá ser acompanhado pela GloboNews, pelo g1 e pelo Globoplay. Após a exibição, a íntegra ficará disponível nas plataformas digitais da emissora.

O segundo turno presidencial será realizado no domingo, 25 de outubro. Até lá, as campanhas ainda terão a reta final de mobilização e comunicação com os eleitores.

Fontes: Folha de S.Paulo — preparação das campanhas; Folha de S.Paulo — regras do debate; Datafolha — pesquisa do segundo turno; TV Globo — informações oficiais sobre o debate.

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