Com Rocco Pitanga e Robson Nunes, espetáculo aborda desigualdade, racismo, relações de poder e a busca por sentido em um futuro distópico. Montagem fica em cartaz até 8 de novembro, em São Paulo.
O que acontece quando esperar deixa de ser uma escolha e passa a fazer parte da própria existência? Essa é uma das questões exploradas por “A História Que Se Repete”, espetáculo que estreou nacionalmente no dia 9 de outubro, no Sesc Ipiranga, em São Paulo, e segue em cartaz até 8 de novembro.
Idealizada pelo ator Alex Bartelli, a montagem tem dramaturgia original de Gabriela Mellão e direção artística de Eduardo Figueiredo. Em cena, Rocco Pitanga e Robson Nunes interpretam dois homens que vivem em um futuro distópico, marcado por ciclos de repetição, incertezas e possibilidades de transformação cada vez mais limitadas.
A obra utiliza o absurdo e a repetição para discutir questões que atravessam a sociedade contemporânea. Solidão, incomunicabilidade, desigualdade social, racismo estrutural, conflitos identitários e crises políticas e econômicas estão entre os temas abordados.
Espetáculo relaciona o absurdo à realidade brasileira
Na história, os personagens se encontram, se afastam e voltam a esperar, presos a uma realidade em que o tempo, a memória e as relações parecem seguir ciclos intermináveis. Mesmo diante da sensação de impotência, eles encontram momentos de conexão por meio da música, do humor, do desejo e da convivência.
Para o diretor Eduardo Figueiredo, a encenação aproxima questões universais, como a busca por sentido e a dificuldade de comunicação, de problemas presentes no Brasil contemporâneo. A crise climática, a violência e a xenofobia também integram o panorama social que inspira a montagem.
A dramaturgia de Gabriela Mellão explora as contradições da experiência humana, alternando prosa, poesia, diálogos e silêncios. A repetição, nesse contexto, não aparece apenas como sinal de paralisia, mas também como uma forma de revelar relações de poder e a dificuldade de romper com estruturas estabelecidas.
Elenco destaca outras perspectivas no teatro
A escolha de Rocco Pitanga e Robson Nunes para os papéis centrais também marca a abordagem proposta pelo espetáculo. A presença dos dois atores negros em uma obra inspirada em um clássico do teatro ocidental europeu amplia a discussão sobre representatividade e a participação de artistas negros em repertórios historicamente marcados pela sub-representação.
A montagem reúne profissionais de diferentes áreas artísticas. A direção musical e a trilha original são assinadas por Federico Puppi, enquanto Kleber Montanheiro responde pela cenografia, Aline Santini pelo desenho de luz e Ronaldo Fraga pelos figurinos.
A equipe constrói um universo cênico que combina música, elementos visuais e referências da cultura brasileira para tratar de uma sociedade em que promessas de dignidade, reconhecimento e transformação permanecem adiadas.
Em meio ao esgotamento que atravessa a narrativa, a espera também pode assumir outro significado: o de resistência. Os personagens continuam a existir, estabelecer vínculos e celebrar a vida, mesmo quando o futuro parece incerto.
Serviço
Espetáculo: A História Que Se Repete
Local: Sesc Ipiranga, São Paulo
Temporada: até 8 de novembro de 2026
Apresentações: quintas, sextas e sábados, às 20h; domingos e feriados, às 18h
Ingressos: R$ 70 (inteira), R$ 35 (meia-entrada para estudantes, servidores de escolas públicas, pessoas idosas, aposentados e pessoas com deficiência) e R$ 21 (Credencial Plena)
Onde comprar: aplicativo Credencial Sesc SP, portal do Sesc ou presencialmente nas unidades
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 70 minutos
Mais informações e ingressos: https://www.sescsp.org.br/programacao/a-historia-que-se-repete/
