Flávio Bolsonaro descumpre ordem de Moraes e não entrega passaportes à Polícia Federal

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não entregou seus passaportes à Polícia Federal (PF) dentro do prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O prazo terminou às 11h desta terça-feira (27), e a corporação cancelou os documentos comum e diplomático do parlamentar.

A determinação judicial foi expedida na noite de domingo (25), no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. A ordem também proíbe o senador de deixar o Brasil.

Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, a Polícia Federal deverá comunicar formalmente a Moraes sobre o descumprimento da decisão. Até a publicação das primeiras notícias sobre o caso, não havia registro formal de saída do senador do território brasileiro.

Passaportes foram cancelados pela Polícia Federal

Flávio Bolsonaro foi intimado pela Polícia Federal na segunda-feira (26) a entregar os documentos no prazo de 24 horas. O próprio senador divulgou a determinação nas redes sociais e afirmou que havia sido abordado pelos agentes ao deixar a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.

Em vídeo publicado na segunda-feira, Flávio declarou que cumpriria a ordem judicial e que pretendia se defender da medida. O senador também questionou a decisão de Alexandre de Moraes, alegando que a determinação ocorreu logo após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais.

Apesar da declaração de que entregaria os documentos, o prazo terminou sem que os passaportes fossem apresentados à Polícia Federal.

Com o vencimento do prazo, a corporação cancelou os documentos e informou que levaria o descumprimento ao conhecimento do ministro responsável pelo caso.

Investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro

A decisão de Moraes está relacionada a uma investigação que envolve Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. A apuração examina suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis irregularidades em operações financeiras relacionadas a empresas e plataformas de apostas online, conhecidas como bets.

De acordo com informações publicadas pela Agência Brasil, a investigação também envolve a empresa Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. Conforme a apuração preliminar da Polícia Federal, Flávio seria beneficiário de recursos relacionados à companhia.

As suspeitas ainda são objeto de investigação e não representam uma condenação. Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz têm direito à defesa e à presunção de inocência.

A decisão judicial também estabeleceu restrições ao contato entre o senador e o advogado investigado, conforme informações divulgadas sobre o caso.

Possível saída do Brasil também é investigada

A ordem que determinou a entrega dos passaportes foi tomada em meio a questionamentos sobre a possibilidade de Flávio Bolsonaro deixar o país após a derrota no segundo turno presidencial.

Na semana anterior, Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, havia defendido publicamente que Flávio deixasse o Brasil caso perdesse a eleição. O senador afirmou que a decisão judicial estaria relacionada a essa declaração e contestou os fundamentos da medida.

Nesta terça-feira, veículos de comunicação argentinos divulgaram informações de que Flávio teria passado pela região de fronteira entre Brasil e Argentina e poderia seguir para os Estados Unidos. A Agência Brasil, no entanto, informou que não havia registro formal de saída do senador do país naquele momento.

As informações sobre uma possível viagem internacional devem ser diferenciadas de uma confirmação oficial das autoridades migratórias. A Polícia Federal continua responsável por comunicar ao STF o descumprimento da ordem judicial.

Caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal

Com o cancelamento dos passaportes e a comunicação prevista ao ministro Alexandre de Moraes, caberá ao Supremo avaliar as providências relacionadas ao descumprimento da determinação.

O episódio ocorre dois dias após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, disputado por Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceu a votação.

Até a publicação desta matéria, não havia confirmação oficial de que o senador tivesse deixado o Brasil. O caso segue relacionado à investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e ao cumprimento das medidas cautelares determinadas pelo STF.

Fontes: Agência Brasil, “Polícia Federal cancela passaportes de Flávio Bolsonaro”, publicada em 27 de outubro de 2026; Agência Brasil, “Moraes manda Flávio entregar passaporte e o proíbe de deixar o país”, publicada em 26 de outubro de 2026; JOTA, “Flávio Bolsonaro descumpre ordem de Alexandre de Moraes e não entrega passaportes”, publicada em 27 de outubro de 2026.

Artigo apoiado por:

Rolar para cima