Terceira fase da Operação Ouro Reverso cumpriu 31 mandados e mira núcleo financeiro suspeito de lavar dinheiro obtido com roubos e receptação de ouro
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã de terça-feira (27), a terceira fase da Operação Ouro Reverso, que investiga um esquema de roubos, furtos, receptação e lavagem de dinheiro envolvendo joias e ouro. Por determinação da Justiça, foram bloqueados aproximadamente R$ 374 milhões em bens e ativos financeiros ligados aos investigados.
A operação também cumpriu 31 mandados de busca e apreensão, determinou a interdição de um estabelecimento comercial de joias e o sequestro de um imóvel. A investigação é conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
Operação mira núcleo financeiro da organização
Segundo a Polícia Civil, a organização investigada atuaria em três frentes.
A primeira seria responsável por roubos e furtos de joias. A segunda cuidaria da receptação e da comercialização dos objetos e do ouro. Já a terceira teria a função de movimentar e ocultar os valores obtidos com os crimes.
Nesta terceira fase, chamada de “A Máquina”, os investigadores concentram os esforços no núcleo financeiro do grupo. A suspeita é de que empresas, pessoas interpostas e transferências sucessivas tenham sido usadas para esconder a origem dos recursos.
Uma das empresas investigadas teria movimentado mais de R$ 356 milhões. De acordo com as apurações, o dinheiro seria reinserido na economia formal por meio de negócios e operações financeiras aparentemente regulares.
Empresas de fachada são investigadas
A análise de celulares, computadores, documentos contábeis e Relatórios de Inteligência Financeira apontou indícios de que os investigados utilizavam empresas de fachada e pessoas interpostas.
Também foram identificadas alterações societárias e transferências entre pessoas físicas e jurídicas. A hipótese dos investigadores é que essas movimentações dificultavam o rastreamento dos valores e ocultavam a origem do dinheiro.
O bloqueio de R$ 374 milhões é uma medida judicial cautelar. Isso significa que os bens e ativos ficam indisponíveis durante a investigação, mas a medida não representa, por si só, uma condenação dos investigados.
Investigação começou após entrega de joia
A investigação teve início em 2024, depois que os policiais identificaram a entrega de uma joia de origem suspeita a um jogador de futebol durante um cruzeiro marítimo.
Segundo a apuração, a pessoa responsável pelo presente tinha condenações relacionadas ao envolvimento com organização criminosa. A partir desse episódio, os investigadores passaram a mapear a cadeia de roubos, receptação, transformação e comercialização das peças.
A primeira fase da Operação Ouro Reverso ocorreu em maio de 2025 e teve como foco suspeitos de roubar alianças e pessoas que receberiam ou revendiam as joias.
Ouro era derretido para dificultar rastreamento
A segunda fase da operação foi realizada em agosto de 2026. Na ocasião, os investigadores miraram estabelecimentos que compravam e derretiam as joias para dificultar a identificação da origem do ouro.
A apuração apontou ainda o possível uso de recibos falsos e o financiamento de suspeitos envolvidos na receptação. Naquela etapa, foram apreendidos aproximadamente R$ 1,6 milhão em joias, enquanto os bloqueios de bens e ativos chegaram a R$ 35 milhões, segundo informações da Folha.
A nova fase busca avançar sobre o caminho do dinheiro e identificar os responsáveis pela movimentação dos valores obtidos com os crimes.
Mais de 80 profissionais participam da ação
A operação mobilizou 62 policiais civis, além de auditores da Receita Estadual, representantes da Fazenda Municipal e avaliadores da Caixa Econômica Federal.
Ao todo, 87 profissionais participaram da ação, conforme informações divulgadas pela Folha. As equipes atuaram na coleta de documentos, na avaliação de bens e no cumprimento das ordens judiciais.
A interdição de uma joalheria e o sequestro de um imóvel fazem parte da estratégia de atingir diretamente o patrimônio que, segundo a investigação, pode estar ligado ao grupo criminoso.
Investigação ainda está em andamento
A Polícia Civil deverá analisar o material apreendido durante os mandados e aprofundar a identificação dos responsáveis pelo núcleo financeiro.
Os investigadores também devem verificar se outras empresas, pessoas ou estabelecimentos participaram do esquema. Além disso, a análise dos ativos bloqueados poderá apontar novos caminhos para localizar bens e recursos relacionados às suspeitas.
Até o momento, as autoridades tratam os fatos como hipóteses investigativas. Os alvos da operação não podem ser considerados culpados antes de uma decisão judicial definitiva.
