“O Último Tango” chega a São Paulo com espetáculo sobre envelhecimento e etarismo

Montagem da companhia brasiliense Criaturas Alaranjadas combina teatro, dança, música e audiovisual para discutir preconceito, intolerância religiosa e autonomia na maturidade. Apresentações acontecem de 19 a 22 de novembro, no Teatro Arthur Azevedo, com entrada gratuita.

O encontro entre dois homens de diferentes trajetórias, unidos pela paixão pelo tango, é o ponto de partida de “O Último Tango – A Rota dos Bem-vividos”, espetáculo que chega a São Paulo para uma temporada de quatro dias no Teatro Arthur Azevedo, na Mooca. Com direção de Sérgio Maggio, a montagem será apresentada de 19 a 22 de novembro, com sessões gratuitas.

Produzido pela companhia brasiliense Criaturas Alaranjadas, o projeto reúne teatro, dança, música e audiovisual para abordar questões como etarismo, intolerância religiosa, homofobia e envelhecimento. A proposta também se estende para além do palco, com exposição fotográfica, aula de tango, oficina de jogos teatrais e debate sobre o papel da arte no combate ao preconceito.

A itinerância integra as comemorações dos 20 anos da companhia e foi contemplada pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), do Governo do Distrito Federal.

História aborda sonhos e reinvenção na maturidade

A trama acompanha Antônio, um homem de 80 anos que enfrenta a perda de memória e a pressão dos filhos. Mesmo diante das dificuldades, ele mantém vivo o desejo de cumprir uma promessa feita à esposa falecida: aprender a dançar tango e conhecer Buenos Aires.

Sua trajetória cruza com a de Manoel, artista que enfrenta dificuldades financeiras e não tem residência fixa, trabalhando como professor de tango em praças. A aproximação dos dois transforma suas rotinas e estabelece uma relação marcada pela solidariedade, pela música e pela descoberta de novas possibilidades.

Os personagens são interpretados por Miqueias Paz e Jones Abreu Schneider. A trilha sonora reúne tangos e canções de matriz africana, executados ao vivo por Janaina Sabino, no piano digital, e Pedro Tupã, na percussão.

A partir dessa relação, o espetáculo discute a autonomia na terceira idade e questiona preconceitos associados ao envelhecimento. Temas como finitude, intolerância religiosa e homofobia também integram a narrativa.

Montagem combina teatro, dança e audiovisual

Com dramaturgia inédita de Santiago Serrano, “O Último Tango” tem direção de Sérgio Maggio e direção de imagens de Catarina Accioly. A linguagem audiovisual aparece por meio de um vídeo-dança realizado em uma reserva natural do Distrito Federal, com os bailarinos Lenna Siqueira e Dilo Paulo, integrantes da companhia Corpus entre Mundos.

A montagem estreou em 2023 no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília e passou por seis cidades do Distrito Federal. Ao longo de sua circulação, foi apresentada em 40 sessões e alcançou mais de 5 mil espectadores. O espetáculo também recebeu o Prêmio de Estímulo ao Teatro Funarte 2022.

Para Jones Abreu Schneider, um dos integrantes da companhia, o teatro tem potencial para questionar preconceitos e estimular discussões sobre políticas públicas voltadas ao envelhecimento. A proposta da itinerância é ampliar esse debate por meio de diferentes linguagens artísticas e atividades abertas à comunidade.

Programação inclui exposição, aula de tango e debate

Além das apresentações, o projeto promove atividades gratuitas no Teatro Arthur Azevedo. A programação começa com uma aula de tango aberta ao público, sem limite de idade, e inclui uma oficina de jogos teatrais voltada a pessoas na maturidade.

O público também poderá visitar a exposição fotográfica “Corpos que Dançam Não Envelhecem”, assinada por Nityama Macrini. A mostra reúne registros de artistas da dança com trajetórias reconhecidas, como Yara de Cunto, Gisèle Santoro, Lenora Lobo, Luciana Lara e o bailarino e coreógrafo Idio Chichava.

A proposta é questionar a ideia de que a dança seria uma atividade restrita aos corpos jovens, valorizando a presença e a experiência de artistas na maturidade.

Outro destaque é o debate “A Arte Contra o Etarismo”, que propõe uma conversa sobre memória e experiências de envelhecimento, especialmente entre populações em situação de vulnerabilidade.

O projeto também prevê uma ação de formação de plateia em escolas públicas, organizada em três etapas: visitas dos artistas às escolas, ida dos estudantes ao teatro para assistir ao espetáculo e participação em uma conversa sobre a experiência.

Serviço

O Último Tango – A Rota dos Bem-vividos

Companhia: Criaturas Alaranjadas

Temporada: 19 a 22 de novembro de 2026

Horários: quinta, sexta e sábado, às 20h; domingo, às 19h

Local: Teatro Arthur Azevedo

Endereço: Avenida Paes de Barros, 955, Alto da Mooca, São Paulo (SP)

Ingressos: gratuitos, com retirada na bilheteria uma hora antes da sessão

Classificação indicativa: 12 anos

Duração: 70 minutos

Acessibilidade: teatro acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

Atividades paralelas

  • Aula de tango: 20 de novembro, sexta-feira, das 17h às 18h, na entrada externa do teatro. Gratuita.
  • Oficina de jogos para pessoas na maturidade: 21 de novembro, sábado, das 17h às 18h. Gratuita.
  • Debate “A Arte Contra o Etarismo”: 22 de novembro, domingo, às 17h. Gratuito.
  • Exposição “Corpos que Dançam Não Envelhecem”: durante toda a temporada, no foyer do teatro. Gratuita.

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