Uma nova estratégia adotada por criminosos tem gerado preocupação entre moradores da zona oeste da capital paulista: o uso de disfarces de entregadores para cometer assaltos.
Segundo relatos recentes, suspeitos utilizam mochilas semelhantes às de aplicativos de entrega para se misturar ao fluxo intenso de motociclistas na cidade. A tática tem como objetivo reduzir suspeitas e facilitar a aproximação das vítimas, especialmente em áreas residenciais e comerciais.
A abordagem geralmente ocorre de forma rápida e coordenada. Em muitos casos, os criminosos circulam pelas ruas observando possíveis alvos e agem quando identificam momentos de distração, como o uso de celular na calçada, abertura de portões ou paradas no trânsito. Após o anúncio do assalto, a fuga acontece em poucos segundos.
Moradores de bairros da zona oeste relatam que a presença constante de motociclistas, impulsionada pelo crescimento dos serviços de entrega, acabou criando um cenário em que a identificação de atitudes suspeitas se torna mais difícil. “Hoje passa muita moto o tempo todo, fica complicado saber quem realmente está trabalhando e quem pode representar risco”, relata uma comerciante da região.
Especialistas em segurança pública apontam que esse tipo de estratégia não é isolado, mas sim uma adaptação do crime às dinâmicas urbanas. O aumento expressivo do delivery nos últimos anos ampliou o número de profissionais nas ruas, o que, por consequência, também abriu brechas para o uso indevido dessa imagem como disfarce.
Outro ponto destacado é a escolha dos locais de atuação. Áreas com grande circulação, ruas com pouca iluminação ou trechos com menor presença policial tendem a ser mais visados. Além disso, entradas de prédios e residências são considerados momentos críticos, já que exigem atenção dividida por parte das vítimas.
A Secretaria de Segurança Pública reforça que operações de patrulhamento têm sido intensificadas em regiões com maior incidência desse tipo de ocorrência. Ainda assim, a orientação é para que a população adote medidas preventivas, como evitar o uso ostensivo do celular em vias públicas, observar o entorno antes de entrar ou sair de casa e desconfiar de aproximações inesperadas.
Enquanto isso, trabalhadores do setor de delivery também relatam preocupação com a situação. Muitos afirmam que o uso indevido da imagem da categoria pode gerar desconfiança e impactar negativamente a rotina de quem atua regularmente no serviço.
O cenário reforça um desafio crescente nas grandes cidades: a necessidade de equilibrar praticidade, mobilidade e segurança em meio a transformações rápidas no comportamento urbano.
